Exposição individual "o (tempo)", de Waltercio Caldas
Exhibition
- Nome: Exposição individual "o (tempo)", de Waltercio Caldas
- Abertura: 14 de maio 2026
- Visitação: até 27 de setembro 2026
Local
- Local: Instituto Casa Roberto Marinho
- Online Event: No
- Endereço: Rua Cosme Velho, nº 1105 – Rio de Janeiro, RJ
O (TEMPO), DE WALTERCIO CALDAS
Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção
Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), exposição que a Casa Roberto Marinho inaugura no dia 14 de maio de 2026, às 18h, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira.
As exposições deste artista são sempre acompanhadas de muita expectativa. A começar pelo título, a palavra tempo surge aqui entre parênteses. O sinal gráfico interrompe a fluidez e antecipa a ideia que atravessa a mostra: “Os parênteses indicam algo…", pontua Waltercio Caldas (1946, Rio de Janeiro). “Eles suspendem o tempo como medida e o apresentam como matéria de linguagem e pensamento.”
Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.
Para Waltercio, a exposição é parte constitutiva da obra e uma etapa a mais de sua realização. A organização das peças no espaço, as distâncias entre elas e o percurso do visitante integram o processo de construção da experiência. “Fazer uma exposição é ainda uma prerrogativa da própria obra”, afirma o artista. “Quando trabalhamos com esculturas e objetos, o espaço passa a ser o material e a mostra se torna radicalmente presencial.”
Quarto Azul (2007) abre o percurso expositivo. Na primeira sala, o ambiente envolve o visitante em um campo de cor atravessado por linhas que reorganizam a percepção do espaço. A partir dessa entrada, trabalhos de diferentes momentos da trajetória de Waltercio passam a conviver em novas articulações, produzindo deslocamentos contínuos do olhar.
Ao reunir peças concebidas em momentos variados, o (tempo) aproxima criações históricas e produções recentes, revelando a continuidade de um pensamento poético que desafia as convenções da forma e do espaço. Entre eles estão obras emblemáticas como Condutores de Percepção (1969), uma das primeiras a explorar a participação ativa do olhar do espectador; e Centro de Razão Primitiva (1970) e As Sete Estrelas do Silêncio (1970), que já indicavam a precisão formal e a dimensão poética que se tornariam marcas recorrentes em sua produção.
Waltercio surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.
Ao longo desse percurso, Waltercio construiu uma produção marcada pela precisão formal e pela economia de elementos, desenvolvendo uma linguagem singular e coerente. Utilizando materiais como aço inoxidável, vidro, espelho, pedra e fios, o artista cria situações em que presença e ausência, transparência e opacidade, peso e leveza se equilibram de maneira delicada. Essa prática, que atravessa toda a sua obra – dos primeiros objetos criados nos anos 1960 às esculturas e ambientes recentes – o consolidou como uma das figuras centrais do pensamento escultórico contemporâneo no Brasil e também no circuito internacional.
Voltadas à experiência do olhar e à materialidade do invisível, suas obras estruturam situações espaciais que convidam o espectador a percorrê-las com atenção, ativando um campo perceptivo no qual cada elemento ganha sentido em relação aos demais. “O que busco é esta tensão que existe entre as coisas que conhecemos e as que não conhecemos”, reflete o artista. “A arte é a invenção de um aparecimento. Ela faz com que as coisas surjam para nós como se fossem capazes de alterar até mesmo as nossas dúvidas.”
Na Casa Roberto Marinho, o (tempo) transforma o deslocamento do visitante em parte essencial da experiência pensada por Waltercio Caldas: “Parece haver uma similaridade entre os períodos, os lugares e as matérias primas”, afirma o artista.
Sobre Waltercio Caldas
Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental.
É considerado por críticos, curadores e escritores um dos mais importantes artistas do Brasil nos anos que se seguiram ao movimento neoconcreto da década de 1960. Suas obras questionam e investigam a percepção humana, usando com frequência formas que desafiam a sensação de volume e profundidade.
Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Em 1996, lançou a obra O livro Velázquez e, pela primeira vez, apresentou seus cadernos de estudos durante a exposição individual Anotações 1969/1996.
Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited – com a obra What is World. What is Not, em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia.
Em 2018, foi um dos sete artistas curadores escolhidos para conceber uma exposição coletiva na 33ª Bienal de Arte de São Paulo, selecionando pinturas, esculturas e textos que tratavam de assuntos relacionados a tempo e espaço.
Em 2021, Waltercio Caldas participou da exposição coletiva A escolha do artista, realizada pela Casa Roberto Marinho. A mostra convidou cinco artistas a selecionar obras do acervo da instituição e estabelecer com elas um diálogo poético por meio de proposições autorais, criando novas relações entre trabalhos históricos da Coleção Roberto Marinho e produções contemporâneas.
Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Sobre a Casa Roberto Marinho
A Casa Roberto Marinho foi aberta ao público como instituto cultural sem fins lucrativos em 28 de abril de 2018, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro. A instituição foi integralmente criada com recursos próprios da família, de forma independente, sem qualquer incentivo ou uso de lei de isenção fiscal. Concebida para promover o conhecimento através da arte e da educação, tornou-se um centro ativo de referência em arte brasileira, sob a direção do arquiteto, antropólogo e curador Lauro Cavalcanti.
O acervo reunido ao longo de seis décadas pelo jornalista Roberto Marinho (1904-2003) é especializado em modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940, e abstração informal da década de 1950. O belo conjunto de cerca de 1.400 peças cadastradas – entre pinturas, esculturas, gravuras, objetos e desenhos – também recebeu trabalhos de estrangeiros, como Marc Chagall (1887-1985) e Salvador Dali (1904-1989).
Com mais de 1.200m² de área expositiva, o projeto conta com sala de cinema, além de cafeteria e livraria especializada em publicações de arte. O jardim, originalmente projetado por Burle Marx com espécies da flora tropical, é um prolongamento da Floresta da Tijuca.
SERVICE
o (tempo), de Waltercio Caldas
Abertura: 14 de maio de 2026, às 18h
Encerramento: 27 de setembro de 2026
Local: Instituto Casa Roberto Marinho
End: Rua Cosme Velho, nº 1105
Rio de Janeiro | RJ
Tel: (21) 3298-9449
Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h
(On Saturdays, Sundays and holidays, Casa Roberto Marinho opens the green area and the cafeteria from 9 a.m.)
Ingressos à venda exclusivamente na bilheteria:
R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca para todos os públicos.
Aos domingos, “ingresso família” a R$10 para grupos de quatro pessoas.
A Casa Roberto Marinho respeita todas as gratuidades previstas por lei e é acessível a pessoas com deficiência física.
Free parking for visitors, in front of the site, with capacity for 30 cars.
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