Exposição coletiva “As formas do tempo”
Exhibition

Exposição coletiva “As formas do tempo”

Exhibition

  • Nome: Exposição coletiva “As formas do tempo”
  • Abertura: 25 de junho 2026
  • Visitação: até 22 de agosto 2026

Local

  • Local: Nara Roesler
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua Redentor, 241, Ipanema – Rio de Janeiro, RJ

As formas do tempo


Na terceira exposição da programação que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista, o curador Bernardo Mosqueira reúne obras de 22 artistas, de várias gerações e ligados ao território do Rio de Janeiro, em uma reflexão sobre a capacidade da arte de nos ensinar sobre o tempo.


As mais de 30 obras da exposição refletem sobre diferentes formas do tempo, entre história, mito, memória, esquecimento, presença, movimento, transformação, construção, ruína, finitude, retorno, “espiralidade” e infinitude. “Os trabalhos convidam o público a experimentar temporalidades que escapam à lógica cronológica, emaranhando diferentes texturas e escalas temporais e sugerindo modos de estar no mundo que libertem nossa força vital da submissão à linearidade e às narrativas de progresso”, diz o curador.


Bernardo Mosqueira, que contou com a colaboração da curadora assistente Ana Clara Simões Lopes, afirma “sentir-se honrado em participar das celebrações em torno de Nara Roesler, cuja trajetória considera extraordinária e singular na história do sistema da arte no Brasil, tendo participado ativamente da consolidação da arte contemporânea brasileira ao longo dos últimos cinquenta anos”.“Não há como separar a história recente da arte brasileira e a história da Nara”, destaca.



Nara Roesler Rio de Janeiro tem o prazer de convidar para a abertura da exposição “As formas do tempo”, com curadoria de Bernardo Mosqueira, no dia 25 de junho de 2026, às 18h. A mostra reúne pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações e obras site specific.


Convidado a realizar uma mostra que celebrasse os 50 anos da galerista Nara Roesler e sua relação com o território do Rio de Janeiro, como parte de uma série de exposições comemorativas, Bernardo Mosqueira decidiu mergulhar “na dimensão reflexiva característica dos aniversários para aprender com as obras de arte sobre as diferentes formas de compreender as relações entre ser, tempo e mistério”.


As obras se relacionam entre si a partir de diferentes concepções de temporalidade. No espaço da Nara Roesler Rio de Janeiro, “essas categorias e questionamentos se atravessam por meio dos gestos conceituais, formais, narrativos e poéticos propostos pelos artistas e por seus trabalhos”. 


Enquanto algumas obras levantam questões relativas à ancestralidade, às memórias da ditadura militar e às transformações ecológicas, outras refletem sobre o próprio papel da imagem diante do tempo, sobre a finitude dos nossos corpos ou sobre como as obras de arte nos sobrevivem e contradizem”, afirma Bernardo Mosqueira, que teve como curadora assistente a pesquisadora e curadora Ana Clara Simões Lopes.


A mostra reúne obras de 17 artistas representados por Nara Roesler, nascidos no Rio de Janeiro ou que escolheram a cidade como lugar de morada e trabalho. 


Bernardo Mosqueira convidou também cinco jovens artistasmulheres sem representação comercial para participarem da mostra. “Como é uma exposição sobre o tempo, mas em que também refletimos sobre a trajetória da Nara, para nós foi importante trazer não apenas obras desses artistas absolutamente consagrados de seu time, mas também abrir uma pequena passagem para o que ainda virá: apresentando e representando, neste pacto com o tempo, caminhos para as artistas que ainda terão relação com a galeria. Além da força de suas práticas serem bastante complementares para o grupo de artistas apresentado, suas ideias sobre o tempo são grandes contribuições para nossa reflexão”, afirma o curador.


Os artistas participantes representados pela galeria são Abraham Palatnik (1928, Natal – 2020, Rio de Janeiro), Alice Miceli (1980, Rio de Janeiro), Angelo Venosa (1954, São Paulo – 2022, Rio de Janeiro), André Griffo (1979, Barra Mansa, Rio de Janeiro; vive no Rio de Janeiro), Antonio Dias (1944, Campina Grande, Paraíba – 2018, Rio de Janeiro), Brígida Baltar (1959 – 2022, Rio de Janeiro), Carlito Carvalhosa (1961 – 2021, São Paulo), Cristina Canale (1961, Rio de Janeiro), Daniel Senise (1955, Rio de Janeiro), Elian Almeida (1994, Rio de Janeiro), Manoela Medeiros (1991, Rio de Janeiro), Marcos Chaves (1961, Rio de Janeiro), Maria Klabin (1978, Rio de Janeiro), Milton Machado (1947, Rio de Janeiro), Raul Mourão (1967, Rio de Janeiro) e Vik Muniz (1961, São Paulo; vive no Rio de Janeiro).


“As formas do tempo”apresenta também trabalhos de Hélio Oiticica (1937–1980, Rio de Janeiro), cujo legado foi representado pela galeria entre 2005 e 2019, além das artistas convidadas Marcelle Nascimento (1999, Belém; vive no Rio de Janeiro), Guilhermina Augusti (1996, São Paulo; vive no Rio de Janeiro), Ana das Neves (2000, Rio de Janeiro), Mayra Carvalho (1997, Baixada Fluminense) e Fátima Aguiar (1991, Rio de Janeiro).


PERCURSO DA EXPOSIÇÃO – ARTISTAS/OBRAS

No térreo da Nara Roesler Rio de Janeiro, duas pinturas de Maria Klabin – “3 da tarde” e “7 da noite” – ambas de 2025, com 100 x 80 x 3 cm cada – anunciam a exposição, com os vasos de flores retratados em momentos diferentes do dia, indicando a passagem do tempo. 


“Sem título” (1992, série “Dedinhos”), de Carlito Carvalhosa – em cera, gesso, argila e pigmento sobre tela sobre madeira, com 31,5 x 31,5 x 5,5 cm – com as marcas dos dedos do artista, nos traz a presença da forma do corpo do artista, mesmo após a sua passagem.


“Verônica” (2024), monotipia de parede em tecido e medium acrílico, 144 × 126 cm, de Daniel Senise, discute as múltiplas camadas do tempo e o papel das forças indexicais e simbólicas da imagem na construção da temporalidade, a partir da ideia do véu de Verônica, tema recorrente em uma de suas séries mais icônicas. À frente, a escultura “Outro mergulho” (2018-2024), em bronze com banho de prata, 50 × 36 × 30 cm, de Brígida Baltar, apresenta um corpo cujas mãos foram substituídas por moldagens das mãos da própria artista, conferindo permanência aos seus gestos e visões para além da duração de sua vida, em diálogo com os dedos em cera que também emergem na obra de Carlito.


Em outro grupo de obras, estão presentes a história, a política e a memória: “Black Mirror” (1968) – madeira e fórmica, 30 x 22,2 – de Antonio Dias, um trabalho importante do artista, durante a ditadura no Brasil. André Griffo, que em seu trabalho faz um entrelaçamento entre história da arte e as questões do presente, mostra na pintura “O massacre dos inocentes” (2023) – tinta óleo e folha de ouro sobre compensado naval, 1,77m x 2,10m – uma cena de massacre feito por uma cavalaria, nos remetendo à ideia de genocídio. 


A pesquisa de Guilhermina Augusti de dar vitalidade e continuidade a legados gráficos da arte negra brasileira pode ser vista na pintura “Noite Eterna” (2024) – acrílica sobre tela, 70 x 100 cm. A relação entre história, valor e presença, elementos presentes na obra de Elian Almeida, está na pintura “Alumia o teu povo em procissão (Igreja e Convento de São Francisco, Salvador)”, 2024 – tinta acrílica e óleo sobre tela, 153 x 176 cm.


Marcelle Nascimento investiga e expande o conceito de ilharga, ilhas fluviais amazônicas que surgem em determinados períodos, e incorpora elementos de encantaria na pintura circular “Ensaio Sobre a Fuga: Fazer as Imagens Viverem Fora de Si” (2026) – tinta acrílica, massa acrílica, giz pastel oleoso, lápis de cor, escultura em argila, fibra de bananeira, crochê em lã e costura em linha de algodão sobre tela, 158 cm x 110 cm. 


A obra “Caminhantes ao Horizonte” (2024), de Ana das Neves, instalada no chão em frente ao cruzamento de duas paredes, forma um portal, tendo como base raízes de troncos de mangue, encimado por penas que vão do vermelho em alusão à ave guará até o branco, relacionado àsgarças.Com2 metros de altura, 1,60m de comprimento e 1,20m de largura, a obra se relaciona diretamente com Guaratiba, bairro na zona oeste do Rio de Janeiro, antigo território tupinambá, que tem seu nome originalmente devido à presença do pássaro guará. A ave, que estava extinta, havia dado lugar à garça branca, e agora está sendo reintroduzida na região. 


SALA DA CLARABOIA

A sala que fica na parte de trás da galeria, onde tem uma claraboia, vai receber as obras que falam mais diretamente de tempo e movimento. “Fontana” (2006), de Marcos Chaves, instalação feita diretamente na parede com fitas adesivas de sinalização urbana, se aproxima dos losangos do ‘Metaesquema’ (1958), de Hélio Oiticica” – guache sobre cartão, 50 x 61 cm – e do balanço‘Mais luz # 02’ (2013) – aço corten, 49,5 x 41 x 30 cm – de Raul Mourão. Neste espaço estão dois “Objetos Cinéticos” de Abraham Palatnik: “Objeto cinético P-28” (1971/2000) – madeira, fórmica, acrílico, metal e motor, 100 x 54 x 23 cm – e “Objeto cinético KK-9ª” (1966/2009) – madeira, motor, fórmica e aço, 61 x 98 x 17 cm, que devotou sua vida ao estudo do movimento. 


Obra feita especialmente para a exposição, pela artista Mayra Carvalho, “Ijasò do fundo do rio conduz saberes à terra” (2026), é composta de terra, barro, verdete (acetato de cobre), encáustica e giz sobre tela, com 100 x 70cm. São representações de água a partir da materialidade do barro, e alude ao ocaso, momento de transição do dia, em que a artista observa esses seres elementais. A obra está em relação à grande pintura de Cristina Canale (1961, Rio de Janeiro), “Queda” (1990), técnica mista sobre tela, 2,50m x 1,15metro, nos traz uma imagem de queda d'água, nos ligando à natureza, seus elementos e temporalidades.


Ainda no térreo, em frente à escada, está “AH!” (1964) – óleo sobre gesso sobre aglomerado, 48 x 37cm – de Antonio Dias, um trabalho feito pelo artista aos vinte anos, no início do regime militar. 


SEGUNDO ANDAR

No segundo andar de Nara Roesler Rio de Janeiro os trabalhos apontam para a ideia de construção, ruína, finitude e transcendência da arte no tempo.


Estão ali “Projeto Chernobyl | Fragmento do tronco de uma árvore I | 6.920 µSv”, de Alice Miceli, uma reprodução positiva de negativos radiográficos, de 30 x 40 cm, 2007/2010; “Fósseis de Conchas Marinhas da Bacia de Paris, 45 Milhões de Anos" (série “Museu das Cinzas”), 2019, impressão de jato de tinta em papel archival, 76,2 x 101,6 cm, de Vik Muniz; e “Sem título” (1994) – parafina, pigmento e dentes de boi, 23 x 23 x 4 cm – de Angelo Venosa.


Na parede maior, estão “Museu do Recôncavo Wanderley Pinho VI” (2019) – impressão e monotipia em tecido sobre placa de alumínio, 80 x 120 cm – de Daniel Senise; “Ruína (telhado)”, 2022, tinta acrílica, massa acrílica, pigmento mineral e escavação sobre tela, 2,20m x 1,60m, de Manoela Medeiros.


O vídeo “Torre” (1996) – VHS transferido para SD, p&b, sem áudio, 3’03” – um “clássico” de Brígida Baltar, em que ela vai construindo um muro circular à própria volta, está ao lado da estalactite de Fátima Aguiar, “Espeleotema” (2026), com cristais cravejados. Vinda da geologia, Fátima Aguiar“pensa aqui o tempo da sedimentação, mas comprimindo-o no gesto escultórico, fazendo pela mão aquilo que a rocha faria em eras deacúmulo mineral”.


No centro da sala, “Já estava assim quando eu cheguei” (2015) – resina, mármore e madeira, 90 x 133 x 130 cm – “o pão de açúcar emborcado, que faz uma relação interessante com a estalactite da Fátima Aguiar”.


Na última parede, ficam quatro importantes obras de Brígida Baltar– as três esculturas “Sem título” (2002), em vidro, pó de tijolo e cola PVA sobre tijolo, de aproximadamente 22 x 10,5 x 8 cm – e a fotografia, “Sem título” (2005), 30 x 40 cm, em que ela está com as mãos dentro do espaço de um tijolo na construção.  


SOBRE BERNARDO MOSQUEIRA

Bernardo Mosqueira é curador, escritor e pesquisador carioca radicado em Nova York. É fundador e diretor artístico da Solar, no Rio de Janeiro, e diretor do Prêmio FOCO ArtRio. De 2023 a 2025, atuou como curador-chefe do Institute for StudiesonLatin American Art (ISLAA), após trabalhar na equipe curatorial do New Museum (2021–2023). Entre 2011 e 2014, Mosqueira organizou o festival de performance Vênus Terra e, de 2011 a 2015, foi curador da Galeria de Arte Ibeu. Em 2020, cofundou o Fundo Colaborativo, o primeiro fundo emergencial dedicado a artistas e trabalhadores da arte no Brasil. Suas exposições recentes incluem “Castiel Vitorino Brasileiro: Eterno Vulnerável” (Solar, 2025); “Diana Dowek: Uprising in theMirror” (ISLAA, 2025); “Luis Fernando Benedit: InvisibleLabyrinths” (ISLAA, 2024); “KorakritArunanondchai: butthewords make worlds” (Solar, 2024); “WynnieMynerva: The Original Riot” (New Museum, 2023); e” Pepón Osorio: MyBeating Heart/Mi corazónlatiente” (New Museum, 2023). Ele fez parte da equipe curatorial da quinta Trienal do New Museum, Soft Water Hard Stone (2021). Recebeu o Prêmio Lorenzo Bonaldi em 2017 e, em 2025, o Prêmio da Vilcek Foundation por seu trabalho curatorial. Mosqueira possui mestrado em estudos curatoriais pelo CCS Bard (2021).


SOBRE ANA CLARA SIMÕES LOPES

Ana Clara Simões Lopes (1996, Rio de Janeiro). Bacharel em História da Arte pela UERJ, desenvolve sua prática entre escrita, pesquisa e curadoria, com especial interesse por práticas artísticas e institucionais radicais e por uma escrita da história que se sabe estória. Assinou o texto crítico de “Memória Bambi”, individual da artista Ana Miguel (Galeria Cavalo, 2026). Foi curadora da individual “Desenhos de chegada” (SESC Ramos, 2025), da coletiva “Fazer com, pensar junto” (Centro Cultural dos Correios, 2025) e da residência Casa Europa (2024). Foi curadora assistente da I e II Bienal das Amazônias (CCBA, 2023/2025) e de exposições como” FARSA: Linguagem, Fratura, Ficção Brasil-Portugal” (SESC Pompeia, 2020) e “Miriam Inez da Silva” (Museu Nacional da República, 2022). Atuou como pesquisadora na exposição “À Nordeste” (SESC 24 de Maio, 2019).


SOBRE NARA ROESLER

Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea em 1976, no Recife, com a exposição “O desenho em Pernambuco”, e mudou-se para São Paulo em 1986, onde firmou a galeria sob seu nome no final dos anos 1980. Desde então, tornou-se uma das principais galeristas do Brasil, reconhecida por desempenhar um papel fundamental na promoção,nofortalecimento institucional e internacionalização da arte brasileira. Com sede em São Paulo, a galeria expandiu seu programa para o Rio de Janeiro, em 2014, e inaugurou um espaço em Nova York em 2015, tornando-se a primeira galeria brasileira a estabelecer um endereço fora do país e reforçando seu compromisso com a circulação global da produção artística brasileira e latino-americana.


Com o objetivo de fomentar de modo contínuo a prática curatorial e a pesquisa crítica, Nara Roesler criou, em 2002, o Roesler Hotel, programa voltado ao intercâmbio entre curadores, artistas estrangeiros e brasileiros. Em 2011, a galeria criou a Nara Roesler Books, sua editora dedicada à arte contemporânea, que já publicou mais de 30 títulos. Desde 2019, a direção artística da galeria é conduzida por Luis Pérez-Oramas, em diálogo com o departamento curatorial da Nara Roesler, fortalecendo uma programação que articula rigor curatorial, pensamento institucional e presença internacional.


Ao longo de sua trajetória, a Nara Roesler tem contribuído significativamente para o desenvolvimento das carreiras de seus artistas, oferecendo suporte contínuo e plataformas de destaque para a apresentação de seus trabalhos, incluindo-os em importantes instituições, bem como em relevantes coleções privadas, tanto no Brasil quanto no exterior. Seu programa reúne nomes históricos e fundamentais da arte brasileira e internacional, como Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack, Jac Leirner, Julio Le Parc, Tomie Ohtake e Vik Muniz, e umanova geração de artistas consolidados, como Alberto Pitta, André Griffo, Berna Reale, Bruno Dunley, Jonathas de Andrade, JR, Lucia Koch, e nomes mais recentes como AsukaAnastaciaOgawa, Elian Almeida, Flávia Ventura, Jaime Lauriano, Manoela Medeiros, Mônica Ventura e Thiago Barbalho.


A galeria representa hoje mais de 50 artistas e mantém espaços em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, em uma atuação que combina acompanhamento de longo prazo, interlocução curatorial e inserção internacional. Seu programa articula artistas consagrados e novas gerações, reafirmando a relevância da Nara Roesler como uma das principais plataformas para a arte brasileira no circuito global.


As Formas do Tempo

Os ciclos cósmicos, a presença do ancestral, uma rima trans-histórica, a memória da barbárie, a silhueta de um desejo, os rastros do indizível, a mão de um artista contradizendo o fim da vida, a cronodissidência, o tempo de uma vida humana diante da escala do tempo geológico, a gravidade como memória do futuro, o Big Bang no fundo de um rio, a suspensão de uma queda d’água, um relato da terra, a arqueologia de um suspiro, a genealogia de um grafismo, a imagem persistente de um decaimento, uma ruína que é ainda construção, uma construção que nos fala do destino, a contradição generosa, o pássaro de ontem e a pedra lançada hoje.


Como podem as obras de arte nos ensinar sobre nossa participação nas relações entre os seres, o tempo e o mistério? Como as diferentes práticas artísticas podem dar forma àquilo que, no tempo, resiste à medida e à definição? Como os trabalhos de arte nos ajudam a inventar o tempo como poesia, a experimentá-lo como encantamento e a pactuar com ele caminhos mais livres, inteiros, prósperos e harmônicos?


Pensada a partir do contexto das comemorações dos cinquenta anos de trajetória de Nara Roesler no mercado das artes visuais, a mostra “As Formas do Tempo” aproveita a dimensão reflexiva tão característica dos aniversários para propor uma investigação mais ampla sobre aquilo que as obras de arte podem nos ensinar a respeito do tempo. A exposição integra um programa mais extenso, que inclui mostras nas sedes de São Paulo e Nova York, e foi concebida também como uma celebração da relação da galerista com os artistas do Rio de Janeiro, reunindo tanto aqueles que nasceram na cidade quanto aqueles que a escolheram como morada.


Concebida como uma espiral temporal na qual anterioridade, presença e posteridade se informam, deformam e transformam mutuamente, a mostra reúne os dezesseis artistas do Rio de Janeiro atualmente representados pela galeria, Hélio Oiticica, um carioca excepcional cujo legado foi representado por muitos anos por Nara Roesler, e cinco artistas extraordinárias ainda sem representação comercial, que prefiguram, neste pacto com o tempo, caminhos para as relações futuras entre a galeria e aquelas que virão a renovar, expandir e transformar o elenco de artistas da Galeria Nara Roesler. A potência de suas práticas e as concepções temporais que emergem de suas obras constituem contribuições contundentes e essenciais para as reflexões propostas pela exposição.


Em “As Formas do Tempo”, os trabalhos nos convidam a experimentar temporalidades que escapam à lógica moderna de um tempo homogêneo, mensurável e uniforme, oferecendo-nos a possibilidade de libertar nossa força vital da submissão à irreversibilidade, à linearidade e às narrativas de progresso, e tornando mais sensíveis as diversas espessuras, texturas, desenhos, movimentos e ritmos do tempo, suas múltiplas formas. Talvez seja justamente aí que reside uma das maiores potências da arte: recordar-nos de que, ainda que o tempo da vida seja curto, nosso encontro com o mistério é inesgotável. 


Service

Exposição “As formas do tempo”


25 de junho de 2026, das 18h às 21h

Até 22 de agosto de 2026

Free entry


Nara Roesler

Rua Redentor, 241, Ipanema, Rio de Janeiro, CEP 22421-030 


Monday to Friday, from 10am to 6pm

Sábado, das 11h às 15h


Telefone: 21 3591 0052

info@nararoesler.art


Digital channels:

https://nararoesler.art/ 

Instagram – @galerianararoesler

Facebook – @GaleriaNaraRoesler

YouTube – https://www.youtube.com/user/galerianararoesler 

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