Exposição coletiva "Cobra Norato"
Exhibition
- Nome: Exposição coletiva "Cobra Norato"
- Abertura: 28 de março 2026
- Visitação: até 30 de maio 2026
Local
- Local: Zielinsky
- Online Event: No
- Endereço: Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis – São Paulo, SP
Arte contemporânea revisita a antropofagia modernista na exposição Cobra Norato
Coletiva na Zielinsky se inspira no legado modernista de poema centenário de Raul Bopp
A galeria Zielinsky inaugura, em 28 de março, Cobra Norato, exposição coletiva com curadoria de Adriano Casanova que reúne obras de Claudio Cretti, Denis Moreira, Gabriel Giucci, Lia Chaia, Lucas Cordeiro, Renata Padovan, Rodrigo Bivar, Trojany e Vera Chaves Barcellos. Partindo do poema homônimo de Raul Bopp (1898–1984), escrito em 1927 e publicado em 1931, a mostra investiga a permanência e a transformação do imaginário modernista brasileiro, enfatizando sua dimensão literária como dispositivo de pensamento e experiência.
Marco singular do modernismo e da poética antropofágica, Cobra Norato é tida como a obra-prima de Bopp, diplomata gaúcho, poeta modernista e um dos fundadores do movimento Antropofágico junto a Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. O poema narra a travessia de um homem que veste a pele de uma serpente para adentrar a floresta amazônica. Inspirado no mito amazônico do Honorato, articula encantamento, metamorfose e pertencimento, propondo não apenas uma jornada geográfica, mas uma mudança radical de perspectiva: o personagem abandona a condição humana estável para existir dentro da floresta, incorporando seus ritmos, criaturas e forças.
Mais do que ilustrar o livro ou tematizar a Amazônia, a exposição parte da força narrativa e imagética de Cobra Norato para pensar outras formas de perceber o mundo. As obras reunidas exploram situações em que o humano deixa de ser medida única do espaço, propondo deslocamentos de escala, corpo e linguagem.
No poema, animais e seres híbridos atravessam a narrativa como figuras de transformação. Essa presença encontra ressonância visual nas obras expostas. Pássaros aparecem nas pinceladas de Rodrigo Bivar e Gabriel Giucci, assim como formas de animais nas esculturas de Claudio Cretti e Lucas Cordeiro, sugerindo modos de vida que escapam à lógica humana. Em Jacarecanga, o Trojany faz parte da formação do bairro Jacarecanga, em Fortaleza, para criar animações nas quais um ser híbrido ocupa simultaneamente cidade e rio. Denis Moreira apresenta aquarelas em que uma figura encantada atravessa paisagens espirituais ligadas à ancestralidade.
Lia Chaia intervém no espaço com uma derivação site-specific de sua série Vértebra por vértebra, envolvendo a galeria com desenhos ósseos que evocam serpentes. Em Rompimento (1969), Vera Chaves Barcellos apresenta uma forma geométrica atravessada por uma linha orgânica de movimento sinuoso. Já Renata Padovan, na série Para saber onde está pisando, apresenta um tapete bordado por artesãs pernambucanas com a imagem de satélite da nuvem de fumaça que cobriu milhões de quilômetros quadrados da América do Sul em setembro de 2022, tensionando cartografia, território e memória ambiental.
No poema de Bopp, atravessar a paisagem implica também transformar o próprio corpo. Essa ideia atravessa a exposição: humano, animal e ambiente aparecem como dimensões interligadas, dissolvendo fronteiras entre natureza e cultura e sugerindo formas de coexistência.
A natureza, aqui, não surge como cenário, mas como processo. As obras operam por repetição, desgaste, crescimento e transformação material, aproximando-se da lógica viva presente na escrita de Bopp.
No texto crítico que acompanha a exposição, Casanova diz que "a atualidade de Raul Bopp decorre desse deslocamento. Cobra Norato antecipa uma questão contemporânea: a crise da separação entre homem e natureza".
"A importância do livro para a história da arte brasileira passa por essa inflexão. Ao deslocar a natureza de motivo representado para experiência perceptiva, Bopp contribuiu para uma imaginação moderna em que o ambiente deixa de ser fundo pictórico e passa a ser condição de trabalho. A arte já não representa a natureza: passa a operar com ela", completa.
Cobra Norato, a exposição, fica em cartaz na Zielinksy até 30 de maio de 2026, com visitação gratuita.
SOBRE A ZIELINSKY
A Zielinsky é uma galeria de arte contemporânea fundada em 2015, em Barcelona, pelos brasileiros Carla Zerbes Zielinsky e Ricardo Zielinsky. Em 2024, inaugurou sua nova sede em São Paulo, na Travessa Dona Paula. Comprometida com a promoção de artistas ibero-americanos, a galeria busca fortalecer a circulação internacional da arte contemporânea e consolidar-se como uma plataforma de difusão, reflexão e desenvolvimento artístico.
SERVICE
Cobra Norato
Coletiva com curadoria de Adriano Casanova e obras de Claudio Cretti, Denis Moreira, Gabriel Giucci, Lia Chaia, Lucas Cordeiro, Renata Padovan, Rodrigo Bivar, Trojany e Vera Chaves Barcellos
Abertura: 28 de março, sábado, das 15h às 18h
Visitação: 28 de março a 30 de maio de 2026
Free entry
Agradecimentos às galerias Leme, Marilia Razuk e Vermelho
Zielinksy
Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis, São Paulo
Ter. a sex., das 11h às 19h | Sáb., das 11h às 17h