Exposição coletiva "Das paisagens, dessas que vêm aos lábios"
Exhibition

Exposição coletiva "Das paisagens, dessas que vêm aos lábios"

Exhibition

  • Nome: Exposição coletiva "Das paisagens, dessas que vêm aos lábios"
  • Abertura: 06 de outubro 2026
  • Visitação: até 31 de janeiro 2027

Local

  • Local: Vila Cultural Cora Coralina (Sala Antônio Poteiro)
  • Online Event: No
  • Endereço: R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO

Das paisagens, dessas que vêm aos lábios 

Exposição coletiva reúne Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, com curadoria de Galciani Neves


Escultura, pintura e instalação se encontram na exposição coletiva Das paisagens, dessas que vêm aos lábios, que ocupa o Vila Cultural Cora Coralina a partir de 05 de outubro. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra é uma parceria entre o SESC Goiás e a Galeria Marília Razuk de São Paulo com apoio do SECULT – Governo de Goiás, e reúne trabalhos de três artistas brasileiras — Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti — que, por caminhos distintos, investigam a relação entre paisagem e corpo, entre o que vemos e o que sentimos diante do território que habitamos.

Mais do que um pano de fundo, a paisagem aparece nas obras em exposição como experiência corporal: algo que se atravessa, se digere, se carrega. Trabalhando com materiais tão diversos quanto argila, vidro, latão, óleo sobre madeira e cimento, as três artistas propõem que pensemos a paisagem não como algo externo a ser contemplado à distância, mas como parte constitutiva da própria vida, um sopro que também nos faz gente.

Radicada em Ilhabela, litoral sul de São Paulo, Anália Moraes transforma redes de pesca, argila, vidro, aço, resinas, rochas, cimento, sal e conchas em esculturas, instalações e relevos. Suas obras evocam ambientes aquáticos e arquiteturas geológicas inventadas, resultado direto de sua convivência cotidiana com os ecossistemas da região onde vive e trabalha.

Já Maria Andrade parte da pintura para construir paisagens que não existem no mundo real, cenários fabulados a partir de memória, viagens e experiências vividas, como sua residência artística no Marrocos e as lembranças do interior de Minas Gerais. Sem rastros de presença humana, suas telas são povoadas por plantas, águas, pedras e cachoeiras que nascem do gesto no momento mesmo da pintura.

Raquel Garbelotti, por sua vez, revisita o legado de nomes centrais da arte e da arquitetura brasileira, Roberto Burle Marx, Lina Bo Bardi e Lygia Clark, para pensar questões contemporâneas de paisagismo, ecologia e ocupação do território. Entre os trabalhos em cartaz estão peças da série Adaptação, criada a partir de uma viagem a Pancas (ES) nos passos de Burle Marx; Se for bicho, se for planta, com esculturas de vidro sobre cimento; e Frutos do mar, esculturas em latão oxidado feitas a partir de dejetos orgânicos coletados em praias de Vitória (ES), que abordam a intrusão salina provocada pelo aumento do nível dos oceanos.

Das paisagens, dessas que vêm aos lábios curada por Galciani Neves parte de reflexões do geógrafo Milton Santos, na qual “a paisagem é o locus onde nutrimos nossas vidas”, e do antropólogo Bruno Latour, que discute o papel da arte na sensibilização do público diante das urgências do planeta. A partir desses referenciais, a curadoria de Galciani propõe zonas de contato entre as poéticas distintas das três artistas, questionando o que podem paisagem e corpo quando se tornam impulsos de criação.

Sobre as artistas
Anália Moraes desenvolve uma prática multidisciplinar entre escultura, fotografia e instalação, investigando ecossistemas aquáticos, formações geológicas e paisagens transformadas pela ação humana. Combinando materiais como argila, vidro reciclado, resinas e silicone, a artista borra os limites entre orgânico e sintético, criando configurações abstratas que evocam as relações entre os materiais e convidam ao pensamento associativo.

O barro é seu principal suporte, pela capacidade de registrar o tempo e expressar subjetividade. Suas esculturas resultam de uma mediação constante entre gesto e matéria, em que rachaduras testemunham o processo de transformação. Ao explorar essa ambiguidade material, Moraes convida o espectador a um jogo entre reconhecimento e estranhamento, desestabilizando as fronteiras entre o natural e o construído.


Maria Andrade tem na pintura sua linguagem majoritária, criando paisagens inventadas a partir da memória, em uma interlocução entre consciente e inconsciente. A artista mescla referências visuais de lugares que visitou, como sua última residência artística em Marrocos e a paisagem do interior de 
Minas Gerais — com paisagens gestuais e oníricas que se constroem no próprio momento da pintura, partindo do imaginário, de memórias de infância e de viagens, livres de compromisso com a realidade.

Seu processo se caracteriza por um fluxo quase imediato de gestos, em que as imagens surgem rapidamente sobre a tela. Trabalha majoritariamente em pequenas dimensões e utiliza com frequência a madeira como suporte, o que confere maior fluidez à pincelada. Suas pinturas a óleo parecem nascer de um único fluxo de trabalho, com frescor e displicência positiva, atmosfera que permanece mesmo nos trabalhos recentes de escalas maiores. As molduras, finas e delicadas, tornaram-se elemento importante de suas composições: ao delimitar o campo pictórico, funcionam como uma janela que transporta o espectador para uma nova realidade.

Raquel Garbelotti nasceu em Dracena (SP), em 1973, e vive e trabalha entre São Paulo e Vitória (ES). Formou-se em artes plásticas pela Faculdade Santa Marcelina, onde foi aluna de Ana Maria Tavares, é mestre em artes pela Unesp e doutora pela ECA-USP, além de professora na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Sua produção multimídia transita entre pintura, escultura, instalação e videoarte, com abordagem experimental que investiga identidade, memória e a relação entre corpo e espaço.

Ao longo da trajetória, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, entre elas a 25ª Bienal de São Paulo, a 26ª Bienal de Pontevedra e a 7ª e a 8ª Bienal do Mercosul. Reconhecida pela capacidade de integrar diferentes mídias e técnicas, Raquel também se dedica à docência, formando novas gerações de artistas e contribuindo para a expansão dos limites das práticas criativas contemporâneas.

Sobre a curadora
Galciani Neves é professora, curadora e doutora em comunicação e semiótica pela PUC-SP. É autora do livro “Exercícios críticos: gestos e procedimentos de invenção” (EDUC, 2016, com auxílio FAPESP). Foi coordenadora da Escola Entrópica (Instituto Tomie Ohtake - SP). Trabalhou em instituições como a Fundação Bienal de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake e MuBE (Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia). Atualmente, é professora do curso de artes visuais e da pós-graduação em práticas artísticas contemporâneas na FAAP, coordenadora da Bolsa IAC de pesquisa do Instituto de Arte Contemporânea.

Serviço
Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
Artistas: Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti
Curadoria: Galciani Neves

Local: Vila Cultural Cora Coralina (Sala Antônio Poteiro) — Goiânia (GO)
Endereço: Rua 3, s/n – Setor Central, Goiânia
Realização: SESC Goiás e Galeria Marília Razuk
Apoio: SECULT – Governo de Goiás

Período: 06 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Visitação: Segunda a segunda, 09h às 17h
Abertura: 05 de outubro, 19h

Entrada: gratuita

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