Exposição coletiva "GUARDAR | Coleção Marcia e Luiz Chrysostomo"
Exhibition

Exposição coletiva "GUARDAR | Coleção Marcia e Luiz Chrysostomo"

Exhibition

  • Nome: Exposição coletiva "GUARDAR | Coleção Marcia e Luiz Chrysostomo"
  • Abertura: 19 de novembro 2026
  • Visitação: até 14 de março 2027

Local

  • Local: Instituto Casa Roberto Marinho
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua Cosme Velho, nº 1105 Rio de Janeiro | RJ

GUARDAR | COLEÇÃO MARCIA E LUIZ CHRYSOSTOMO

Com curadoria de Paulo Venancio Filho, exposição apresenta 300 obras de um acervo formado ao longo de três décadas, tendo a ideia de construção como eixo central

De Kandinsky e Max Bill a Lygia Clark e Beatriz Milhazes: percurso reúne produção brasileira e internacional, com trabalhos históricos raramente vistos no país



A Casa Roberto Marinho inaugura para o público, em 19 de novembro de 2026, Guardar, exposição dedicada ao acervo particular de Marcia e Luiz Chrysostomo, coleção de destaque no panorama das artes visuais no país, formada ao longo de três décadas e hoje composta por mais de 2 mil itens. Com curadoria de Paulo Venancio Filho, a mostra apresenta cerca de 300 obras e percorre diferentes momentos da arte brasileira e internacional, das vanguardas do início do século XX à produção contemporânea.

A exposição amplia uma relação iniciada em 2023, quando o casal participou de Conversas entre Coleções, também na Casa Roberto Marinho, estabelecendo diálogos entre trabalhos de seu acervo e obras da instituição. Agora, pela primeira vez, a Casa dedica uma mostra exclusivamente a esse conjunto.

Um poema do filósofo e escritor carioca Antonio Cícero, de 1996, que acompanha Luiz Chrysostomo há décadas, inspira o título da exposição. A ideia de guardar como gesto de cuidado e preservação encontra correspondência na própria história da coleção, que não nasceu de um projeto previamente definido, mas de uma relação continuada com a arte.

Josef Albers (1888-1976) e Max Bill (1908-1994), referências fundamentais da abstração geométrica e do pensamento construtivo, abrem a exposição frente a frente. A escolha funciona, segundo Venancio Filho, como uma espécie de “declaração” da curadoria e estabelece uma chave que se desdobra pelo percurso. A partir deles, a mostra acompanha diferentes caminhos do pensamento construtivo e suas reverberações na arte brasileira, aproximando tempos, geografias e linguagens.

“Uma coleção é uma constelação viva”, escreve Paulo no texto curatorial. Para ele, um acervo dessa natureza nunca está concluído: cada nova aquisição cria relações e contágios intencionais ou inesperados. Seu ponto de partida foi reconhecer a fisionomia que Marcia e Luiz imprimiram ao conjunto ao longo dos anos. “Meu cuidado foi não chegar com a autoridade do curador. Procurei entender a coleção tal como ela é.”

A geometria e a cor conduzem as primeiras salas, com nomes como Ivan Serpa, Amilcar de Castro, Judith Lauand, Sergio Camargo e Franz Weissmann, ao lado de artistas internacionais como Bridget Riley e Vera Molnár. A relação entre abstração geométrica e arquitetura moderna aparece em outro núcleo, no qual obras convivem com projetos e publicações ligados a Oscar Niemeyer, Le Corbusier e à Bauhaus.

O percurso avança para experiências das décadas de 1960 e 1970, reunindo trabalhos de Cildo Meireles, Artur Barrio, Antonio Dias, Waltercio Caldas, Carmela Gross, Carlos Vergara e Rubens Gerchman, entre outros. Mais adiante, a aproximação entre arte e palavra ganha protagonismo. Antonio Manuel e exemplares do Poema/Processo abrem caminho para um núcleo no qual poesia visual, livros de artista e experimentação gráfica colocam em diálogo nomes como Mira Schendel, Hélio Oiticica, Rubem Valentim, Luciano Figueiredo, Man Ray, Augusto de Campos e Julio Plaza.

O interesse de Luiz Chrysostomo pelas origens e desdobramentos dos movimentos artísticos também permeia a mostra. Um dos núcleos parte das vanguardas históricas europeias e de suas repercussões na arte brasileira e latino-americana, com trabalhos de Wassily Kandinsky, Paul Klee, Joaquín Torres-García, Georges Braque, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Cícero Dias e Oswaldo Goeldi.

Livros de artista, publicações raras e documentos históricos, apresentados em vitrines, reforçam o caráter investigativo da coleção e seu interesse pelas origens de questões presentes na produção brasileira. Entre os exemplares selecionados estão marcos ligados à Bauhaus e à VKhUTEMAS, escola de arte e design criada na Rússia nos anos 1920; Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), publicado em 1912 por Wassily Kandinsky e Franz Marc; e La Fin du monde filmée par l'Ange N.-D., de Blaise Cendrars, publicado em 1919 com ilustrações de Fernand Léger. O conjunto atravessa o século XX e chega à produção contemporânea, com exemplares de Max Bill e Josef Albers, e livros de artista de Beatriz Milhazes.

Outro núcleo se volta para o pensamento construtivo no Brasil e na América Latina. Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Ivan Serpa, Aluísio Carvão, Amilcar de Castro e Geraldo de Barros convivem com artistas latino-americanos, evidenciando aproximações e diferentes caminhos desenvolvidos a partir do concretismo e do neoconcretismo. Entre os nomes reunidos, Venancio Filho chama atenção para Rubem Ludolf, artista próximo de Luiz Chrysostomo, cuja obra considera particularmente importante dentro da ideia de construção que orienta a mostra.

A arte cinética ocupa a sala considerada pelo curador um dos pontos altos da exposição. Obras de Abraham Palatnik, Julio Le Parc, Carlos Cruz-Diez, Jesús Rafael Soto, Sérvulo Esmeraldo, Luis Tomasello e Martha Boto, entre outros, mostram como movimento, luz e participação do olhar ampliaram as pesquisas do campo construtivo. Marcel Duchamp aparece como um dos precursores dessa experimentação.

Na sequência, a escala muda. Na maior sala da Casa Roberto Marinho, obras de grande formato, predominantemente tridimensionais, ocupam o chão, as paredes e o teto, criando uma espécie de passeio entre os trabalhos. Estão nesse núcleo Tunga, Ernesto Neto, Tomie Ohtake, Elisa Bracher, Ivens Machado, Ascânio MMM e Sheila Hicks. 

A Geração 80 e seus desdobramentos introduzem outra inflexão. A relação com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage confere ao núcleo uma dimensão particularmente afetiva para Luiz Chrysostomo, que estudou na instituição em meados dos anos 1980. Daniel Senise, Cristina Canale, Leda Catunda, Luiz Zerbini e Beatriz 
Milhazes aparecem ao lado de artistas de outras gerações, como Lucia Laguna, Rosângela Rennó, José Damasceno e Rebeca Carapiá.

A exposição termina com um conjunto dedicado à abstração brasileira. Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Maria Leontina, Ione Saldanha, Antonio Bandeira, Aluísio Carvão e Maria Polo estão entre os artistas reunidos nesse núcleo.

Uma história que começou em 1985
A coleção começa em 1993, mas a história de Luiz Chrysostomo com a Coleção Roberto Marinho havia começado nove anos antes. Em 1985, aos 21 anos, ele visitou três vezes a exposição Seis décadas de arte moderna na Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial. Naquele momento, estudava Economia e frequentava a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, dividido entre a formação acadêmica e um interesse pela arte que continuaria presente ao longo de sua vida.

O contexto cultural do Rio era muito diferente. O acesso a exposições, publicações e reproduções de obras era limitado. Encontrar reunida no Paço Imperial uma coleção privada de grande dimensão significou a possibilidade de ver pessoalmente trabalhos e 
artistas que conhecia sobretudo pelos livros. “Foi uma epifania”, recorda. Luiz passou horas na exposição, voltou outras vezes e guardou o pequeno catálogo distribuído na ocasião. A experiência permaneceu como referência, embora a ideia de tornar-se colecionador ainda estivesse distante.

Quarenta e um anos depois, a coleção formada por ele e Marcia ocupa a Casa Roberto Marinho. O movimento teve peso na decisão do casal de aceitar o convite. Avessos à exposição pessoal, hesitaram diante da ideia de apresentar publicamente um acervo construído no âmbito privado.

“A coleção não é um troféu. É um testemunho de uma vida, de um olhar, de uma forma de encarar o mundo”, observa Luiz. A possibilidade de proporcionar a outros visitantes uma experiência semelhante à que teve aos 21 anos ajudou a mudar essa perspectiva. Parte dos trabalhos reunidos em Guardar, especialmente obras históricas internacionais, raramente pode ser vista no Brasil.

Guardar para tornar visível
O colecionismo ultrapassa, aqui, o âmbito privado. Para Venancio, coleções particulares podem contribuir para suprir lacunas dos acervos públicos: “O sentido maior é o de resguardar o que tem relevância não só para o colecionador, mas para as artes plásticas brasileiras”, analisa.

Essa compreensão se manifesta na relação de Marcia e Luiz com o acervo, cujas obras são frequentemente emprestadas a instituições e exposições. É nesse movimento que a preservação se associa ao desejo de tornar as obras visíveis e acessíveis a outros públicos.

A mostra inaugura um projeto da Casa Roberto Marinho que poderá receber futuramente outras coleções particulares. Segundo Lauro Cavalcanti, diretor-executivo da instituição, a abrangência, a qualidade das obras e o rigor na constituição do acervo de Marcia e Luiz Chrysostomo contribuíram para sua escolha para iniciar o programa.

Sobre os colecionadores
Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho é Presidente do Conselho do Museu de Arte do Rio (MAR), sócio e membro do Conselho Diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças. Foi diretor da ANBID e da ANBIMA, sócio sênior da Neo Investimentos, diretor-geral dos bancos de investimentos JPMorgan e Chase Manhattan, sócio-diretor do Banco Patrimônio de Investimentos e chefe do Gabinete de Desestatização do BNDES.  Lecionou nos Departamentos de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). É autor, coautor e coorganizador de artigos e livros nas áreas de mercados de capitais e economia do setor público.  É mestre e bacharel em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com especialização em Administração pela Wharton School, nos Estados Unidos.

Na área de Cultura, Luiz é ou foi também membro de Conselhos e Comitês do Instituto de Arte Contemporânea (IAC-SP), do Museu Nacional de Belas Artes, do Museu de Arte Moderna do RJ, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, da Casa França Brasil e do Library Council do MOMA-NY. Autor de livros e artigos sobre artes plásticas, tem curado exposições em instituições públicas e privadas, lecionando regularmente em cursos da FGV-Arte.

Marcia Costa Barbosa, é psicanalista, membro efetivo e docente do Círculo Brasileiro de Psicanalise-RJ e do Espaço Potencial Winnicott- Sedes SP. Pós-Graduada em História da Arte e Arquitetura pela PUC-RJ. Bacharel em Economia pela UERJ e Mestre 
em Economia pela PUC-RJ, tendo sido professora do Departamento de Economia da mesma Universidade, além de executiva no mercado financeiro em diversas instituições nacionais, como os bancos Pactual, Bozzano-Simonsen, Boavista e Primus.

SOBRE A CASA ROBERTO MARINHO
A Casa Roberto Marinho foi aberta ao público como instituto cultural sem fins lucrativos em 28 de abril de 2018, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro. A instituição foi integralmente criada com recursos próprios da família, de forma independente, sem qualquer incentivo ou uso de lei de isenção fiscal. Concebida para promover o conhecimento através da arte e da educação, tornou-se um centro ativo de referência em arte brasileira, sob a direção do arquiteto, antropólogo e curador Lauro Cavalcanti.

O acervo reunido ao longo de seis décadas pelo jornalista Roberto Marinho (1904-2003) é especializado em modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940, e abstração informal da década de 1950. O belo conjunto de cerca de 1.400 peças cadastradas – entre pinturas, esculturas, gravuras, objetos e desenhos – também recebeu trabalhos de estrangeiros, como Marc Chagall (1887-1985) e Salvador Dalí (1904-1989). 

Com mais de 1.200m² de área expositiva, o projeto conta com sala de cinema, cafeteria e livraria especializada em publicações de arte. O jardim, originalmente projetado por Burle Marx com espécies da flora tropical, é um prolongamento da Floresta da Tijuca.

SERVIÇO:
GUARDAR | Coleção Marcia e Luiz Chrysostomo
Curadoria: Paulo Venancio Filho

Abertura pública: 19 de novembro de 2026, às 12h
Encerramento: 14 de março de 2027

Local: Instituto Casa Roberto Marinho
End: Rua Cosme Velho, nº 1105
Rio de Janeiro | RJ
Tel: (21) 3298-9449

Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h
(Aos sábados, domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a partir das 9h.)

Ingressos à venda exclusivamente na bilheteria: 
R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca para todos os públicos.
Aos domingos, “ingresso família” a R$10 para grupos de quatro pessoas.

A Casa Roberto Marinho respeita todas as gratuidades previstas por lei e é acessível a pessoas com deficiência física.
Estacionamento gratuito para visitantes, em frente ao local.

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