Exposição coletiva “Terror celestial”
Exhibition
- Nome: Exposição coletiva “Terror celestial”
- Abertura: 18 de julho 2026
- Visitação: até 04 de outubro 2026
Local
- Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
- Online Event: No
- Endereço: Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema – Fortaleza, CE
MAC inaugura exposição sobre o terror com artistas LGBT+
Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra aborda a história da colonialidade como a história de um filme de terror
O Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão) inaugura a exposição “Terror celestial”, com curadoria de Lucas Dilacerda, que apresenta obras de artistas LGBT+ que discutem o terror.
A mostra parte da ideia de que a história da colonialidade é a história de um filme de terror. E qual é a relação entre o terror e a comunidade LGBT+? Historicamente, essas existências têm sido associadas às figuras do terror, sendo chamadas de “monstros”, “queer”, “estranhas”, “assustadoras”, "freak", “aberrações” e demais figuras que causam medo na cis-heteronormatividade-compulsória e em seus ideais sócio-políticos-regulatórios de normalidade.
A exposição “Terror celestial” lança um olhar para a produção de artistas LGBT+ a partir da ótica do terror: tanto o gênero do terror como também o terror do gênero. A exposição busca discutir como o imaginário do medo e do terror é reelaborado por esses artistas enquanto força de criação e, portanto, de cura.
Segundo a psicanálise, uma das formas que o ser humano encontra para aliviar os seus medos inconscientes é descarregar esse sentimento negativo no “outro”, projetando na população LGBT+ a imagem de “anormal” para se autoafirmar como “normal”. Os filmes do gênero terror são um exemplo dessa transfiguração do medo inconsciente em monstros para o alívio da humanidade.
Paradoxalmente, corpos LGBT+ sofrem cotidianamente acompanhados pelo afeto do medo: o medo de sofrer preconceito, o medo de apanhar na rua, o medo de sair de casa, inclusive o medo de ficar em casa, pois é justamente no ambiente familiar onde ocorrem a maioria dos casos de violência. Não à toa esse medo se transforma em diversos traumas e estruturas psíquicas na vida adulta, como a baixa autoestima, a necessidade da legitimação externa, o perfeccionismo etc.. Esses corpos sem lar, sem espaço seguro, experimentam a vida como um filme de terror.
É muitas vezes na arte que as pessoas LGBT+ encontram um lugar seguro para se apropriarem daquilo que lhes oprime, transfigurando o medo em coragem, ressignificando os xingamentos em expressão cultural. Se o “monstro” é aquilo transcende o humano e cria outras maneiras de existir, encontramos essa ebulição criativa na arte dessa comunidade: transformistas, perucas, asas, unhas, drag queens, glitter, brilho, cores vibrantes, formas orgânicas, livres e exuberantes.
Nesse sentido, a exposição “Terror celestial” discute a ressignificação do terror em arte. A mostra reúne artistas LGBT+ (em sua interseccionalidade de raça, território e geração: mulheres queer, pessoas negras queer etc.) que fazem da sua arte uma reelaboração dos medos de infância e a apropriação do terror como uma categoria estética. A exposição é elaborada com três linhas curatoriais: 1) Monstros e quimeras; 2) Espiritualidade terrena; e 3) Terror das formas.
A primeira linha curatorial, “Monstros e quimeras”, apresenta obras que discutem a monstruosidade como aquilo que transcende o nosso entendimento de humano (cis-heteronormativo). Nesse sentido, são obras mais-que-humanas que abordam o cruzamento dos reinos dos animais, das plantas, dos minerais, dos encantados e das forças sobre-humanas, tais como nas obras de Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany, que revelam um imaginário de seres híbridos, quimeras, místicos e fabulosos.
A segunda linha curatorial, “Espiritualidade terrena”, aborda a temática da religião, tão marcante na vida de pessoas LGBT+. Historicamente, a religião cristã propagou a ideia de céu e inferno, na qual essas pessoas foram associadas a demônios e pecadores. Se por um lado a religião foi um espaço de violência, por outro lado pessoas LGBT+ buscam outras religiões para se conectar com a sua espiritualidade, tais como Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel. Nesse sentido, são obras que discutem a espiritualidade como um local de cura, apresentando raízes com saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual.
Por fim, a terceira e última linha curatorial, “Terror das formas”, parte do conceito de “terrorismo de gênero”, que reflete como a produção artística de pessoas LGBT+ provoca um terrorismo nos gêneros clássicos das belas artes (retrato, paisagem, natureza-morta etc.). Terrorismo aqui é sinônimo de desobediência e, portanto, de criação de outras formas de existir. Nesse sentido, as obras de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho assustam a gramática normativa das artes e criam outras visualidades e expressões que resistem às categorias e classificações normativas da História da Arte.
A exposição conta com recursos de acessibilidade que favorecem a fruição de diferentes públicos durante a visita. Os recursos estão disponíveis em uma plataforma digital e podem ser acessados por meio de QR Code ou com o auxílio da equipe educativa. Entre as opções disponíveis estão textos em Libras, audiodescrição, prancha de comunicação alternativa e a possibilidade de agendamento de visitas acompanhadas por intérprete de Libras. Este projeto é apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria da Cultura do Ceará, com recursos provenientes da Lei Federal N.º 14.399 de julho de 2022.
Portanto, a exposição “Terror celestial” busca refletir como artistas LGBT+ reelaboram o imaginário do medo e do terror transfigurando-o em força de criação e, portanto, de cura dos traumas da infância.
Lista de Artistas:
Antônio Breno
Bárbara Banida
Camila Albuquerque
Carnaval no Inferno
Céu Vasconcelos
Charles Lessa
Darwin Marinho
Davi Ângelo
Georgia Vitrilis
Gi Monteiro
Higo José
Honório Félix
insiranomeaqui
Isadora Ravena
Jonas Pinheiro
Jonas Van
Juno B
Luciana Magno
Maurício Coutinho
Nicolas Gondim
Pedra Silva
plantomorpho
Sérgio Gurgel
Trojany
Abertura: Sábado, 18 de julho de 2026, das 14h às 19h
Endereço: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema
Período em cartaz:
18 de julho de 2026 a 4 de outubro de 2026
Opening hours:
Quarta a sábado - 9h às 19h (acesso até 18h30)
Domingo e feriados - 10h às 19h (acesso até 18h30)
Telefones para contato:
(85) 9 9608-9891 (Diego Gregório) - Assessor de Imprensa
(85) 9 9798-6191 (Lucas Dilacerda) - Curador
(31) 9 9443-7995 (Aretha Gallego) - Gerente do MAC-CE
Instagram: @lucasdilacerda, @maccedragao, @dragaodomar, @institutodragaodomar, @secultceara e @pnabceara
Technical Data Sheet
Curadoria: Lucas Dilacerda
Curadoria Adjunta: Wes Viana
Design: Rodrigo Lopes
Produção: Hércules Lima
Desenho de Luz: Raí Santorini
Assessoria de Imprensa: Diego Gregório
Fotografia e Vídeo: Jorge Silvestre
Acessibilidade: Art! em LIBRAS
Marcenaria, Montagem e Desmontagem: Oggin [Edison Filho, Amanda de Melo, Mailton Rodriguez, Wesley Santos, Charles Freire e Berin]
Cenografia: Oz Cenografia
Apoio: Cave, Mulheres Arquivadas, MUTHA - Museu Transgênero de História e Arte
Minibio de Lucas Dilacerda
Lucas Dilacerda é Curador e Crítico de Arte. É sócio da AICA - International Association of Art Critics; da ABRE - Associação Brasileira de Estética; da ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Arte; da ANPAP - Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas; e do Comitê de Indicação do Prêmio PIPA. Ganhou o prêmio ABCA pela curadoria da Bienal Internacional do Sertão. Realizou mais de 60 curadorias, 70 textos publicados, 80 cursos e 250 apresentações em diversas instituições de arte, tais como Sony - Europa; Meridiano - Argentina; Museu de Arte Moderna da Bahia; Instituto Goethe; FUNESC, de João Pessoa; FAV, de Goiânia; Museu Vale; Museu de Arte do Espírito em Santo, de Vitória; ECARTA, de Porto Alegre; Parque Laje, do Rio de Janeiro; SESC, de São Paulo; etc. Graduação, Mestrado e Doutorado em Artes; e também Graduação e Mestrado em Filosofia, com ênfase em Estética. Especialização em História da Arte, pela UNIUBE de MG; e Pós-Graduação em Curadoria e Crítica de Arte, pela PUC de SP.