Exposição “Daniel Senise – Os dois lados da janela”
Exhibition

Exposição “Daniel Senise – Os dois lados da janela”

Exhibition

  • Nome: Exposição “Daniel Senise – Os dois lados da janela”
  • Abertura: 04 de julho 2026
  • Visitação: até 06 de setembro 2026

Local

  • Local: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial
  • Online Event: No
  • Endereço: Praça Quinze de Novembro, 48, Centro – Rio de Janeiro, RJ

Daniel Senise – Os dois lados da janela



Um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, Daniel Senise volta a fazer uma individual no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, após 32 anos. Em “Os dois lados da janela”, com curadoria de Pollyana Quintella, o público verá 59 trabalhos que abrangem a produção do artista do ano 2000 até agora, incluindo trabalhos inéditos. As obras ocuparão todas as salas do Primeiro andar do Paço, agrupadas “por afinidade”, não necessariamente por séries ou ordem cronológica, conta Daniel Senise, que participou intensamente de todo o processo de montagem da exposição, e estará presente na abertura. 


Esta é uma oportunidade rara para o público mergulhar no universo dos últimos 26 anos do artista carioca, radicado em São Paulo desde 2022. Entre os trabalhos inéditos estão quatro criados este ano, além de outros quatro que também nunca saíram do seu ateliê, produzidos entre 2024 e 2026. Estão presentes obras de várias de suas séries conhecidas, como “Museus e galerias”, “Livros”, “Prodrome” e as dez de “Biógrafo” – esta nunca mostrada antes em conjunto. No centro da última sala ficará a obra interativa “National Gallery” (2014), em que o público verá através de um orifício a imagem reconstruída em miniatura pelo artista da instituição de arte inglesa. 


O Paço Imperial tem o prazer de convidar, no dia 4 de julho de 2026, a partir das 11h, para a abertura da exposição “Os dois lados da janela”, com 59 obras do artista Daniel Senise, que abrangem sua produção desde 2000 até agora. A curadoria é de Pollyana Quintella, que destaca que a mostra oferece ao público a oportunidade de acompanhar os desdobramentos recentes da trajetória do artista, “através de uma articulação que privilegia aproximações não cronológicas, evidenciando recorrências e deslocamentos no interior de sua produção”. Os trabalhos expostos pertencem à coleção do artista e coleções particulares.


Artista com uma grande produção, Daniel Senise conta está apreciando a ideia desta exposição, em que há trabalhos diversos do que se costuma identificar imediatamente como sendo dele.Reconhecido pelo uso de capturas de superfícies para a realização de seus trabalhos, nessa exposição estão presentes também obras que utilizam outros materiais e tecnicas, como aquarelas, fotografias, objetos que expandem a percepção do trabalho. 


Ele salienta que considera o Primeiro Andar do Paço Imperial – ocupado integralmente pela exposição – um espaço ideal para se fazer uma exposição que apresenta um panorama da obra. As salas mostram desdobramentos e afinidades, criando relações entre obras de períodos e materiais distintos. Ele ressalta que o início do percurso, na Antessala Gomes Freire, “é como se fosse uma síntese da exposição, do que aconteceu nos últimos 25 anos”. As obras ali são as monotipias ou coletas de parede – pesquisa que notabiliza o trabalho do artista – "Verônica (Blanchard Jacques)”, 2026, com 150 x 180 cm; e “Sem título (Guggenheim Museum)”, 2022, com 150 x 300 cm; e as duas em tinta acrílica e tinta metálica sobre tecido: “J.L” (2026), 84 x 83 cm, e “Lucrécia”, de 2026, de 200 x 125 cm. Uma referência a Lucrécia Borgia (1480-1519), “personagem extensivamente representada em pinturas desde o século 16”, observa Daniel Senise. “Nessa tela vemos uma imagem constituída por marcas e intervenções aparentemente aleatórias enquadrada como uma obra em um espaço supostamente museológico”, diz.


Ao longo da exposição, o público verá ainda uma série pequenas pinturas – as “pinturinhas” de Daniel Senise, experiências que ele faz em seu ateliê, além de textos de Pollyana Quintella, as “legendas expandidas”, que comentam algumas obras ou o conjunto do ambiente.


OBRAS EM GRANDES DIMENSÕES

Na Sala Gomes Freire, está “Misty Peach Vision Petal” (2004), com 2,15 metros de altura por 6,45 metros de comprimento, produzida a partir “da transferência de poeira, resíduos e marcas acumuladas no chão do ateliê para a tela”, explica Pollyana Quintella nas legendas expandidas que estarão na exposição. “O trabalho incorpora diretamente os vestígios do espaço onde foi produzido. No tríptico, uma mancha rosada atravessa as três telas. Quase invisível no piso original, o vermelho emergiu apenas após a impressão, fazendo surgir uma imagem que parecia existir latente na matéria”, conta.“Realizadas em momentos distintos sobre o mesmo chão, as impressões nunca coincidem integralmente: variações de densidade, opacidade e textura fazem com que cada tela retenha diferenças sutis, como se a própria duração do processo se inscrevesse na pintura. O título, construído a partir da combinação aleatória de palavras encontradas em um jogo de ímãs, reforça o caráter associativo da obra. ‘Misty’, ‘Peach’, ‘Vision’ e ‘Petal’ mantêm sentidos autônomos, mas, reunidas, produzem uma atmosfera rarefeita que atravessa toda a pintura”, afirma Pollyana Quintella. 


Na sala Academia dos Seletos – a sétima sala da exposição – está a obra “Arranjo em cinza e prata" (2019), com 2,44 metros de altura por 7,50 metros de comprimento, feita com os carpetes queimados no incêndio sofrido pelo Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, em 2011. Daniel Senise havia sido convidado para fazer um painel para a instituição, que iria passar por obras de renovação, quando houve o incêndio. Ele foi ao local e recolheu pedaços do tapete que cobria o chão. Anos depois, criou o trabalho com esses fragmentos, colocados sobre uma superfície de alumínio, que reflete o espectador. “O título dialoga com a obra ‘Arranjo em cinza e preto’ (1871), de James Abbott McNeill Whistler(1834-1903), artista cujo repertório reaparece em outras obras de Daniel Senise”, observa Pollyana Quintella nas legendas expandidas que estarão na exposição. 


Na sala Mestre Valentim, a última e a maior da exposição, está a obra “Vai que nós levamos as partes que te faltam” (2008), com 10 metros de comprimento por 1,20 metro de altura, uma composição de aquarelas feitas por Daniel Senise, que reproduzem um a um os tacos de madeira do corredor de sua residênciano Rio de Janeiro. Ao olhar atentamente, o público pode notar que se trata de uma “planta baixa”, com “as saídas para sala de TV, a de estar e para a cozinha”, conta o artista.


OUTROS DESTAQUES

Pollyana Quintella destaca a série “Museus e galerias”, em que Daniel Senise reconstitui espaços de arte a partir de sua coleção de monotipias realizadas sobre pisos e paredes “A diversidade das instituições também revela diferentes modos de relação entre arquitetura e olhar. Da monumentalidade da Capela Sistina aos espaços industriais do Dia Beacon, mais do que representar museus, estas obras transformam o próprio ato de ver em matéria pictórica, fazendo coexistir na mesma superfície diferentes tempos e experiências de percepção”, acentua a curadora. Dasérie “Museus e galerias”, podem ser vistas as obras “Museu Nacional de Belas Artes”(2016), com 150 x 300 cm, na Sala Gomes Freire; “Sem título(MAM Rio)”, 2022, com 150 x 325 cm; “Sem título (Capela Sistina)”, 2025, 200 x 293 cm; “Sem título (Cappella degli Scrovegni)”, 2025, 200 x 293cm; “Sem Título (Bourse de Commerce – Pinault Collection)”, 2021, 150 x 400 cm; e “Sem título (Richter at Dia Beacon)”, 2022, 150 x 250 cm, na Sala do Trono.


BIÓGRAFO

Na sala Mestre Valentim estão dez obras da série “Biógrafo”, produzidas entre 2016 e 2020, conjunto nunca reunido anteriormente. Feitas a partir de monotipia em chãos sobre tecido, as obras contêm imagens de formas retangulares em meio a “perspectivas arquitetônicas, salas de museus, espaços internos e campos abstratos, criando zonas de opacidade que ocultam e reorganizam aquilo que é visto”. “Mais do que elementos de obstrução, esses retângulos tornam-se estruturas que condicionam o olhar e deslocam a experiência da imagem para uma relação instável entre presença material e percepção”, informa Pollyana Quintella. 


ARQUITETURA A PARTIR DE CAPAS DE LIVROS DE ARTE

Na Sala Amarela, estão as obras “Exs XXVII” (2019) e “Exs XXXI” (2020), ambas com 125 x 125 cm, compostas por Daniel Senise a partir de capas de livros de arte. “As superfícies resultantes organizam-se em estruturas modulares que evocam elementos arquitetônicos modernistas, especialmente os brise-soleils difundidos por arquitetos como Le Corbusier (1887-1965) e amplamente incorporados à paisagem urbana brasileira”, observa Pollyana Quintella. “A repetição das páginas cria ritmos geométricos que aproximam a pintura de uma espécie de fachada ou dispositivo de filtragem visual, articulando simultaneamente arquitetura, livro e imagem”. A curadora salienta: “Ao reorganizar esses fragmentos editoriais em estruturas arquitetônicas, Senise aproxima a pintura da ideia de janela, recorrente na tradição ocidental desde a perspectiva renascentista, mas agora esvaziada de transparência e convertida em superfície opaca e fragmentada”. 


IDENTIDADE VISUAL DA EXPOSIÇÃO: BORDÔ E CINZA CLARO

A designer Débora Filippini, que desenvolveu com Gustavo Vicentini a identidade visual dos espaços da exposição, conta que trabalho foi feito a partir de uma pesquisa das cores recorrentes na produção de Daniel Senise ao longo de diferentes momentos de sua trajetória, “com especial atenção à série ‘Exs’, incluindo as obras ‘Exs XXVII’ e ‘Exs XXXI’, presentes na exposição”. “Entre elas, optamos pelo bordô, tonalidade que estabelece um diálogo com a arquitetura do Paço Imperial e seu passado histórico que se relacionam com o período imperial e o imaginário da nobreza. Desta forma, a escolha da cor faz um contraste interessante com as paisagens feitas por Senise, que lidam ao mesmo tempo com camadas da memória e com questões do contemporâneo enquanto olham para o futuro.Em contrapartida ao bordô, a tipografia moderna e o cinza claro também foram escolhidos para ajudam nesse contraste, costurando essas diferentes intenções nos espaços da exposição”, explica.


SOBRE DANIEL SENISE

Daniel Senise (1955, Rio de Janeiro) é um dos representantes da chamada Geração 80, marcada pelo processo de retomada da pintura no Brasil. Desde o final da década de 1990, sua prática artística consiste no que pode ser descrito como "construção de imagens". O processo começa com a impressão de superfícies – como pisos de madeira ou paredes de concreto – sobre tecidos, à maneira de monotipias. Esse material serve de base para suas obras, seja como área a ser trabalhada ou como fragmento a ser colado sobre outra imagem, frequentemente, fotográfica.


Sua produção tem forte relação com o espaço, cujos restos são incorporados aos trabalhos, de modo que ele passa a ser apresentado não só como figuração, mas também como matéria exposta. Cerâmicas quebradas, barras de metal, pedaços de madeira, poeira, entre outros elementos encontrados, são fixados sobre as imagens, servindo como anteparos que dificultam com que ela seja vista e, ao mesmo tempo, ressaltam seu caráter de rastro. Cria-se um jogo entre a realidade da matéria e sua representação. Por outro lado, o tempo também se faz fundamental, sobrepondo cronologias, gestos e vivências, a partir das complexas relações entre permanência e desaparecimento.Daniel Senise vive e trabalha em São Paulo, e é representado por Nara Roesler. Algumas de suas principais exposições individuais incluem: “Os dois lados da janela”, no Paço Imperial (2026), Rio de Janeiro; “Biógrafo”, no Museu de Arte Contemporanea da USP (2023), “Verônica”(2022), na Nara Roesler São Paulo; “Antes da palavra”(2019), na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; “Printed Matter(2017), na Nara Roesler Nova York, Estados Unidos; “Quase aqui”(2015), no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro; “2892”(2011), na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, e “Daniel Senise” (2009),na Estação Pinacoteca (Pina Estação,) em São Paulo. Participou de diversas bienais e mostras coletivas, incluindo as 18ª, 20ª, 24ª e 29ª edições da Bienal de São Paulo (1985, 1989, 1998 e 2010); a 44ª Biennaledi Venezia, Itália (1990); 2ª Bienal de La Habana, Cuba (1986); 11ª Bienal de Cuenca, Equador (2011) e “Luz ≅ Matéria”(2017), no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. No Paço Imperial, trabalhos de Daniel Senise estiveram nas seguintes exposições: “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” (2026),“Caminhos do contemporâneo — 1952–2002” (2002), “Espelho cego — Seleções de uma coleção contemporânea” (2001), “Mostra Rio Gravura: Impressões contemporâneas”(1999), “Ar” (1997), “Venosa, Senise” e “Petite Galerie: uma visão da arte brasileira” (1996), “Daniel Senise” (individual, em 1994), “Guignard, a escolha do artista” (1993) e “7 décadas da presença italiana na arte brasileira” (1986). 


As obras de Daniel Senise integram importantes coleções, como: Stedelijk Museum Amsterdam, Amsterdam; Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, Estados Unidos; Ludwig Museum, Köln, Alemanha; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), Niterói; e Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.


Serviço: Exposição “Daniel Senise – Os dois lados da janela”

Abertura: 4 de julho de 2026, a partir das 11h

Com a presença do artista

Até: 6 de setembro de 2026


Free entry


Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial

Praça Quinze de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20010-010


Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h


Telefones: (21) 2215.5231 e (21) 2215.2093

E-mail: educativo@pacoimperial.com.br

@pacoimperial_rj

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