Exposição "Entre a favela, o inferno e o céu" de Douglas Lopes
Exhibition
- Nome: Exposição "Entre a favela, o inferno e o céu" de Douglas Lopes
- Abertura: 16 de setembro 2026
- Visitação: até 18 de fevereiro 2027
Local
- Local: Fábrica Bhering
- Online Event: No
- Endereço: R. Orestes, 28, Santo Cristo - Rio de Janeiro, RJ
Douglas Lopes inaugura a Mostra ' Entre a Favela, o Inferno e o Céu' na Fábrica Bhering
Em sua primeira individual fora do Complexo da Maré, território que atravessa sua produção desde o início da sua pesquisa antropológica, o artista apresenta fotografias que exploram as relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas
Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual na quarta, 16 de setembro, das 11h às 18h, no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, "Entre a favela, o inferno e o céu" apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de 'Entre a favela, o inferno e o céu'
Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita "Círculo de fogo" (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. "Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia", conta o artista.
Outro destaque da exposição é a fotografia panorâmica "Dois de janeiro" (2018), de 36 x 110cm, que registra um arco-íris duplo. Captada em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos, a imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais. É uma nova forma de se construir narrativas sobre os territórios, para além da violência e das desigualdades sociais.
Em preto e branco, a fotografia digital "Nas águas desta baía há muito tempo" (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.
Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é "Itaparica e Vera Cruz" (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto que cruza a Baía de Todos-os-Santos, principal palco da Batalha de Itaparica (1823), marco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.
Já a fotografia "Beleza extraordinária" (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.
Em "Tudo que habita é luz" (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu, introduzindo na composição uma dimensão ligada à cultura popular, à tradição e à continuidade de saberes.
"Yaya" (2016) é uma fotografia que faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja têm a palavra Yaya, na lateral. O que interessou a Lopes foi a forma de empilhamento, a multiplicidade, o acúmulo de itens. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olhar da chamada "fotografia antropológica": com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.
Sobre o artista
Douglas Lopes (1991) é artista visual e fotógrafo nascido e criado na Favela da Maré (RJ). Desde 2013, desenvolve uma pesquisa que articula território e memória, explorando as relações entre estética, poética e questões sociais e políticas presentes na vida urbana carioca.
Ao transitar entre o documental e o autoral, seu trabalho parte da experiência cotidiana nas periferias para construir imagens que tensionam narrativas dominantes sobre o Rio de Janeiro, propondo reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência. Sua produção se desenvolve entre a fotografia, a instalação e a experimentação visual.
Para além das artes visuais, foi diretor de fotografia da premiada série "Marielle – O Documentário", dirigida por Caio Cavechini e Eliane Scardovelli para o Globoplay. Também assinou a direção de fotografia e entrevistas do curta "Unifavela – o ENEM, a favela e o Coronavírus", vencedor do Prêmio ABMES de Jornalismo na categoria Vídeo Nacional.
Em 2021, assinou a fotografia do videoclipe "E Você Diz", reunindo os artistas Frejat, Jards Macalé e Luiz Melodia. Dirigiu, roteirizou e fotografou o curta "É Preciso Estar Vivo Para Viver" para a campanha "Somos da Maré! Temos Direitos!". Em 2023 foi indicado ao prêmio internacional MAST Photography Grant on Industry and Work [Bolonha, Itália], no qual havia apenas dois brasileiros, Douglas e uma pessoa de SP.
Ele tem também uma atuação contínua na área da comunicação e da cultura comunitária. Entre 2013 e 2017, foi fotógrafo e professor na Lona Cultural da Maré. Entre 2017 e 2020, integrou a equipe do jornal comunitário Maré de Notícias e desde 2013, trabalha como fotógrafo e videomaker na organização Redes da Maré.
Fez formação em preparação de obras de arte no Instituto Moreira Salles e qualificação profissional em identificação de técnicas e conservação preventiva de acervos fotográficos históricos na Fundação Oswaldo Cruz, ampliando sua compreensão sobre conservação, circulação e apresentação da imagem no campo artístico. Frequentou o curso técnico de especialização em assistência de câmera para cinema da UFRJ e a Universidade das Quebradas, na Faculdade de Letras também da UFRJ (Heloisa Teixeira).
Serviço
"Entre a favela, o inferno e o céu", de Douglas Lopes
Exposição de fotografia e Lançamento da plataforma Estúdio Maré
Curadoria Vinicius Mesquita
Fábrica Bhering | R. Orestes, 28 | 5º – Santo Cristo, Rio de Janeiro
Abertura: quarta, 16 setembro 2026, das 11h às 18h
Visitação até 18 de fevereiro de 2027
Funcionamento: segunda a sábado, 9 às 18h
Classificação livre