Exposição individual "Alicerces", de Andrey Guaianá Zignnatto
Exhibition

Exposição individual "Alicerces", de Andrey Guaianá Zignnatto

Exhibition

  • Nome: Exposição individual "Alicerces", de Andrey Guaianá Zignnatto
  • Abertura: 23 de maio 2026
  • Visitação: até 25 de julho 2026

Local

  • Local: Janaina Torres Galeria
  • Online Event: No
  • Endereço: R. Vitorino Carmilo, 427, Barra Funda – São Paulo, SP

Janaina Torres Galeria apresenta Alicerces, individual de Andrey Guaianá Zignnatto, que traz um recorte inédito da produção do artista


A exposição tensiona o legado construtivo brasileiro ao aproximar arquitetura, design e escultura e destaca o cimento e o barro como elementos de síntese poética


A exposição converge ancestralidade indígena e o saber manual de trabalhadores da construção civil, aborda identidade cultural, cidades, território, enquanto reflete sobre o sistema de arte contemporânea


 


"Eu aprendi a construir com cimento, e hoje uso esse mesmo conhecimento para outra coisa, levantar o que foi derrubado, seja a memória, território e também o céu.


Andrey Guaianá Zignnatto



No dia 23 de maio, chega à Janaina Torres Galeria a individual Alicerces, de Andrey Guaianá Zignnatto. A exposição integra as celebrações da primeira década da galeria e tem curadoria assinada por Alexandre Araujo Bispo, que faz um recorte inédito dos últimos 10 anos da produção do artista paulista, de origem indígena – Dofurêm Guaianá e Guarani – e italiana, e que tem obras em coleções como a do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Espanha), do PAMM – Pérez Art Museum (EUA) e do Museu de Arte do Rio (MAR).


Em uma escolha curatorial radical e estruturante, a exposição obedece o caráter dialógico da poética do artista – que confronta temas como identidade cultural, ancestralidade, construção de cidades e territorialidade. Para isso, a mostra toma o espaço bruto da galeria, enquanto realidade construída, sem artifícios cenográficos. A aposta no tradicional cubo branco opera como elemento deflagrador para a primeira conversa: entre o simbolismo arquitetônico do local, enquanto galeria de arte, e obras carregadas de significado construtivo – de sentidos e de materialidades – como o carrinho de mão, os tijolos amassados, as ferramentas de trabalho dos pedreiros, os chassis de quadros amalgamados à cimento, entre outros.


Esta primeira camada da exposição materializa uma característica singular da obra de Andrey: o artista transita entre o concretismo e o neoconcretismo, alterando, por exemplo a densidade,formato de tijolos e cobogós cerâmicos que acabam por parecer ora derretidos, ora maleável, ora leve, flexível, ora seccionados, coordenando forma e conteúdo, aparência e profundidade conceitual. Andrey elege materiais com um simbolismo intrínseco às temáticas que compõem sua pesquisa:  barro, tijolo baiano, vigas de cimento, ferro, urucum, cerâmica, chassis de quadros, jenipapo, tecido, missangas e ferramentas de construção civil, entre outros, compõem a dialogia matérica das obras. A partir deles Zignnatto propõe negociações espaciais, físicas e temporais para a construção coletiva de novos sentidos:  "De um lado estão as forças físicas como gravidade, energia, massa, peso, volume, equilíbrio e, de outro, as forças temporais que incidem no espaço como a memória e o esquecimento, finalmente, as injunções sociais que transformam os "lugares próprios" – um determinado endereço – em "lugares praticados" ou modificados pelas ações dos usuários", explica o curador Alexandre Araujo Bispo.  


A poética de Andrey fricciona diferentes e, por vezes, antagônicas visões de mundo a partir do conjunto de suas próprias vivências pessoais e constitutivas. Entre as experiências seminais do artista está a vivência familiar na construção civil, como servente de pedreiro. Dos 10 aos 14 anos de idade, acompanhou seu avô e aprendeu o ofício que chama de "construção de cidades". Em outro pólo, está a reaproximação de suas origens indígenas, a exemplo de quando em 2025, junto a seus parentes Dofurêm Guaianá coordenou o projeto Hãive Rumeroro, na zona leste de São Paulo, que irrompeu na reconstrução de uma aldeia Guaianá depois de quase 100 anos da destruição da última do povo dentro da cidade – experiência essa que inspirou Andrey a produzir obras inéditas, que também estarão na exposição.


Transversalmente, o fio que costura e amarra a trama da obra de Andrey é o fazer vernacular inserido no campo (e circuito) da arte contemporânea. A poética do artista, no entanto, extrapola sua vivência pessoal quando se coloca em perspectiva com a formação identitária do Brasil e de seus espaços urbanos, mas, também, quando subverte obras basilares da história da arte brasileira, em interconexão com símbolos culturais indígenas. Nesse sentido, citamos um trabalho que estará na exposição: Bicho Brabo (2022) – que relê a obra Bicho de Ligia Clark, substituindo o metal articulado por uma placa de demarcação territorial indígena, feita pela FUNAI, dobrada como a obra original, mas em PVC rígida.


Andrey transmuta a herança ancestral e vernacular em arte contemporânea e, principalmente, desloca o fazer manual, aquele especificamente condicionado ao caráter utilitário, para o fazer artístico e a consequente fruição parafísica da arte.  "Seja em temática, poética ou materialidade, a postura dialógica adotada por Andrey não se esquiva do conflito, mas trabalha no campo da equalização de forças, visibilizando assimetrias e sugerindo acordos para a (co) existência." Finaliza Janaina Torres, galerista que o representa.


Mais sobre Andrey Guaianá Zignnatto

Nascido em Jundiaí, em 1981. Vive e trabalha em Jundiaí e São Paulo, no Brasil.  Possui obras em importantes acervos, como o do Museu de Arte do Rio (MAR), Pérez Art Museum Miami (PAMM, EUA) e Fundação Capriles Brillembourg (Madrid, Espanha). Andrey Zignnatto participou de exposições no Brasil, Reino Unido, EUA, Itália, Emirados Árabes, Peru, Colômbia e Argentina, com destaque para as individuais "Territórios Forjados" Paço das Artes SP, 2015; "Estudos Para Novas Propostas de Interpretação do Espaço Físico" FUNARTE SP, 2015; "Territórios Forjados" Sketch galeria de arte, Bogotá, Colômbia, 2016; "Forged Territories" Sharjah Art Museum, Emirados Árabes, 2016-17; e as coletivas "Arte e Patrimônio" Paço Imperial IPHAN, RJ, 2015; Festival Chatarra, 220 Epacio de Arte Contemporaneo, Córdoba, Argentina, 2018, entre outros. Entre as premiações destacam-se a indicação para os prêmios Jameel Victoria & Albert Museum, UK, 2017; FUNARTE de Arte Contemporânea 2014; Arte e Patrimônio IPHAN/MINC, 2014-15 e Prêmio de Artes Visuais PROAC SP 2014, 2015 e 2017.


Janaina Torres Galeria

Fundada em 2016, a Janaina Torres Galeria aposta em um programa curatorial que reflete um contexto cultural amplo, em que a experiência estética se alinha a questões geográficas, políticas e sociais. A galeria difunde seus artistas com responsabilidade e comprometimento para que eles tenham seu legado reconhecido e respaldado pelas mais respeitadas instituições. A partir de sua missão de educar, aproximar e conectar artistas, curadores, colecionadores e amantes da arte, busca garantir um acesso verdadeiro dos mais diversos públicos a uma produção artística brasileira contundente e vibrante. São representados pela Galeria os artistas Andrey Guaianá Zignnatto, Antonio Oloxedê, Caio Pacela, Daniel Jablonski, Dee Lazzerini, Deborah Paiva, Feco Hamburger, Helena Martins-Costa, Heleno Bernardi, Jeane Terra, Kika Levy, Kitty Paranaguá, Laíza Ferreira, Liene Bosquê, Luciana Magno, Manuela Navas, Marga Ledora, Osvaldo Carvalho, Pedro David, Pedro Moraleida e Sandra Mazzini.


Service

Exposição individual Alicerces, de Andrey Guaianá Zignnatto


Vernissage: 23 de maio, das 14 às 18h.

Período de visitação: De 23 de maio a 25 de julho.


Dias e horários de visitação: Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h. 


Local: Janaina Torres Galeria

Endereço: R. Vitorino Carmilo, 427 - Barra Funda, São Paulo - SP, 01153-000


Free 


Faixa etária: livre


Possui acessibilidade para cadeirantes

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