Exposição individual "Ambiguidade construtiva e ativação do espaço" de Wolfram Ullrich
Exhibition

Exposição individual "Ambiguidade construtiva e ativação do espaço" de Wolfram Ullrich

Exhibition

  • Nome: Exposição individual "Ambiguidade construtiva e ativação do espaço" de Wolfram Ullrich
  • Abertura: 02 de setembro 2026
  • Visitação: até 30 de outubro 2026
  • Gallery: Raquel Arnaud Gallery

Local

  • Venue: Galeria Raquel Arnaud
  • Online Event: No
  • Endereço: R. Fidalga, 125 , Vila Madalena - São Paulo, SP

Wolfram Ullrich apresenta exposição individual com obras inéditas na Galeria Raquel Arnaud

A mostra intitulada "Ambiguidade construtiva e ativação do espaço" reúne obras que constroem a ilusão de profundidade e exploram, ativando a relação entre o corpo do espectador, a obra e o espaço



A Galeria Raquel Arnaud apresenta, a partir de 2 de setembro, a exposição individual "Ambiguidade construtiva e ativação do espaço" de Wolfram Ullrich, com texto crítico de Guilherme Wisnik. Um dos nomes da tradição construtiva alemã contemporânea, Ullrich reúne trabalhos que transitam entre pintura, escultura e arquitetura e convidam o espectador a desconfiar daquilo que vê. 

A exposição se organiza em dois núcleos que aprofundam essa investigação a partir de relações distintas entre cor, matéria e espaço. No andar térreo da galeria, Ullrich apresenta obras inéditas em que o uso restrito às cores primárias, vermelho, azul e amarelo, desloca a cor de uma função decorativa para uma função construtiva. Ela passa a organizar o campo visual, estabelecer relações e tensões e definir a percepção do relevo, aproximando os trabalhos de uma tradição da arte moderna e construtiva em que a redução cromática busca alcançar uma espécie de gramática elementar da pintura.

No segundo andar, a discussão se desloca para os relevos inéditos de diferentes escalas, em aço corten. Aqui, o próprio material assume papel central no discurso da obra: sua oxidação, textura, densidade e coloração constituem a linguagem do trabalho. Diferentemente de uma pintura ou de um relevo simplesmente pintado, o aço introduz uma dimensão temporal à experiência, uma vez que sua transformação material permanece inscrita na superfície. O relevo passa, assim, a ocupar uma zona de tensão entre objeto e processo, em que a matéria não apenas sustenta a obra, mas participa ativamente de sua construção.

É justamente nesse intervalo entre imagem e objeto que se encontra uma das questões centrais da produção de Ullrich. O artista não utiliza a ilusão para simplesmente enganar o olhar, mas para tornar perceptível o modo como construímos aquilo que vemos. Em seus trabalhos, não há um ponto de vista definitivo. À medida que o visitante se desloca, as formas se reorganizam diante de seus olhos, fazendo das diferentes percepções uma experiência contínua. “Meu interesse está em criar uma situação em que o olhar não consiga se fixar imediatamente. Quero que o espectador se aproxime, se mova e descubra que aquilo que parecia uma superfície é, na verdade, um objeto que ocupa o espaço”, afirma Wolfram Ullrich. 

Como observa Guilherme Wisnik, “não há um ponto de vista privilegiado para se observar esses trabalhos, nem, portanto, uma forma estável de reconhecê-los”. A cor desempenha papel fundamental nessa experiência. Recorrentes na produção do artista, os tons vibrantes, entre eles, o vermelho intenso presente em parte dos trabalhos da exposição, não funcionam como gesto expressivo, mas como elementos que acentuam a presença física das estruturas. Para Wisnik, o vermelho confere “corporalidade ao conjunto serial”, reforçando a dimensão quase arquitetônica das obras.

Na Galeria Raquel Arnaud, essa investigação se estende à própria arquitetura. A montagem estabelece, assim, um diálogo direto entre os relevos e o espaço expositivo, em uma configuração que se aproxima da ideia de site specific. A pesquisa de Ullrich se insere na tradição do abstracionismo geométrico e carrega referências da Bauhaus e da Escola de Ulm, além de estabelecer afinidades com a Minimal Art norte-americana. O artista, no entanto, se distancia do rigor literal associado a essa tradição ao preservar em seus relevos uma dimensão ilusionista. Trabalhando com superfícies lisas, polidas e exatas, ele combina a racionalidade construtiva com uma experiência instável do olhar.

Essa característica ganha uma dimensão especialmente atual diante de um mundo em que os limites entre real e virtual se tornam cada vez menos nítidos. Para Wisnik, a obra de Ullrich encontra nesse cenário uma possibilidade de reflexão: em vez de rejeitar a ambiguidade, o artista a incorpora como parte da experiência. Seus trabalhos, ancorados em uma base racionalista e construtiva, convidam o espectador a assumir uma posição ativa diante daquilo que vê, e sobretudo, diante daquilo que acredita reconhecer.

Mais do que uma exposição sobre geometria, portanto, a mostra de Wolfram Ullrich coloca em cena uma pergunta bastante contemporânea: até que ponto podemos confiar no nosso próprio olhar? Entre superfície e volume, pintura e escultura, matéria e imagem, suas obras transformam o ato de observar em uma experiência de descoberta.

Sobre Galeria Raquel Arnaud
Fundada em 1973, a Galeria Raquel Arnaud é referência no cenário da arte contemporânea brasileira e internacional. Com foco em arte construtiva, cinética e contemporânea, a galeria destaca-se por promover artistas cuja produção explora a relação entre espaço, forma e luz. Localizada em São Paulo, tornou-se um espaço de vanguarda no cenário das artes, além de fomentar a reflexão sobre questões estéticas e conceituais. Sob a liderança visionária de Raquel Arnaud, a galeria consolidou seu papel como um dos principais pontos de encontro para colecionadores, críticos e amantes da arte. Atualmente, sob direção de Raquel Arnaud e Myra Arnaud Babenco, o espaço entra em um novo momento, estando sempre  em conexão com o mercado e com a arte contemporânea. 

www.raquelarnaud.com

Serviço
"Ambiguidade construtiva e ativação do espaço”
Galeria Raquel Arnaud

Abertura: 02 de setembro das 18h às 21h 
Exposição: 02 de setembro até 30 de outubro 

R. Fidalga, 125 - Vila Madalena (SP)

Funcionamento: De segunda à sexta, das 11h às 19h
Sábados, das 11h às 15h

Entrada Gratuita


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