Exposição Individual "Cantaria" de Daniel Jorge
Exhibition

Exposição Individual "Cantaria" de Daniel Jorge

Exhibition

  • Nome: Exposição Individual "Cantaria" de Daniel Jorge
  • Abertura: 22 de agosto 2026
  • Visitação: até 06 de novembro 2026

Local

  • Local: Mendes Wood DM (São Paulo, Barra Funda)
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua Barra Funda 216, São Paulo, São Paulo

Exposição "Cantaria" de Daniel Jorge


A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra reúne obras inéditas entre esculturas, relevos de parede, instalação e performance, e é acompanhada por um ensaio inédito docurador e pesquisador Carlos Quijon Jr.


O título da exposição nomeia o ofício do canteiro, o saber técnico da pedra talhada, que o artista aprendeu. A palavra guarda também o canto, som de ritual e de trabalho que acompanha quem talha. É desse cruzamento entre mão e voz, precisão e improviso, que a prática de Jorge se forma. Nas obras, a matéria não chega sozinha, mas acompanhada do trabalho, das trocas e das histórias que a trouxeram até ali.

Nascido em Recreio, no interior de Minas Gerais, criado na Curumau, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e radicado em Salvador, Jorge trabalha com o que essas três geografias lhe deram. A pedra-sabão, rocha densa e macia que serviu ao Barroco mineiro, chega ao ateliê por relações de trocacom trabalhadores e pequenas comunidades de Minas Gerais. “Cada pedra carrega uma cadeia de corpos dentro da obra”, diz o artista. 

Para Jorge a obra se dá em, “testar até onde a matéria pode ir, e deixá-la responder”.A resposta está, por exemplo, no processo de pigmentação que o artista desenvolveu. O carvão, produzido no ateliê a partir de madeiras coletadas na cidade e ali queimadas, é veículo e reagente ao mesmo tempo; o pigmento azul é feito de resíduo gráfico adquirido em trocas com as gráficas da cidade. Misturado ao carvão e depositado sobre a pedra-sabão, o azul torna aparentes os quartzitos que a atravessam, e a superfície ganha pontos brilhantes que nenhum gesto poderia planejar. O piche, emulsão asfáltica que pavimenta as estradas e impermeabiliza as lajes das casas da periferia, entra como camada de negro profundo que pigmenta e adiciona uma fina camada de pele sobre a pedra.

O ferro coletado pelo artista ora carrega um processo natural de oxidação, ora é oxidado com sal, água e vinagre, técnica que pessoas escravizadas em fuga usavam para escurecer as ferramentas e camuflá-las na mata durante as travessias para os quilombos. Incrustadas na pedra entalhada, aspontas de ferro se erguem como torres, lanças, pregos. Não são ornamento: guardam a memória dafuga e organizam o trabalho, naquilo que o artista chama de “vingança simbólica”, exercida no gesto.

Sobre a pedra, Jorge realiza o gesto da escarificação: talhos, incisões, arranhões. Sua pesquisa reúneos muitos sentidos desse gesto, da marca corporal que, entre povos como Mursi, Iorubá e Nuba, inscreve pertencimento na pele, à quebra da casca da semente para que ela germine, até a incisão médica que vacina e cura. Nas superfícies escultóricas, o motivo reaparece em campos de perfurações, sulcos ordenados e protuberâncias. É o que conduz o artista ao quelóide, a pele que insiste em retornar ao seu plano original: a matéria que até então era subtraída passa a seraglutinada, criando pequenos relevos antropomórficos em algumas das peças.


Na exposição, as obras pendem do teto, encostam na parede, pousam direto no chão. Em Balanced Manumission (2024), esferas de pedra e correntes de ferro não estão presas a nada: apenas se equilibram, o peso de uma segurando o da outra. Em Boiar é entregar o peso à correnteza (2026), um bloco de pedra-sabão atravessado por grandes orifícios repousa no chão, circundado por uma corrente que carrega na ponta um cavalo marinho; o título ensina o gesto: boiar não é esforço, é entrega. E em Orifício (2024), uma pedra cinza e escarificada se incrusta numa parede em U que organiza o percurso da primeira sala: é como se a obra se tornasse um hospedeiro na parede do espaço, nos confundindo em torno da equação da matéria que se perde entre adição e subtração atornando parte. O movimento se repete em diversos trabalhos da mostra: o artista borra o caminhoque nos permitiria dizer se a forma resulta de uma subtração ou de uma adição de matéria.

A mostra culmina na instalação-performanceCondição de Assentamento(2026), em que quarenta enove pedras-sabão se distribuem pelo chão, ocupando uma sala inteira da galeria. Realizada antes daabertura da exposição, a performance faz do próprio trabalho do artista um modo de ocupar oespaço: Jorge divide as pedras com cunhas, pigmenta-as com carvão, piche e resíduo gráfico azul,escarifica-as. Encerrado o gesto, o artista se retira, e as pedras permanecem como constelaçãodurante todo o período expositivo.

Para o artista, “o direito à subjetividade, ao deslocamento, à abstração, à ambiguidade, direitos sistematicamente cooptados de certos corpos no Brasil, são reivindicados aqui como infraestrutura material da obra, não como pauta”. O que se revela em Cantaria é uma prática sustentada por mais-velhos, trabalhadores e amizades, ou, nas palavras de Quijon, “uma ecologia que prospera em chão irregular”.

Serviço
Daniel Jorge - Cantaria


Em cartaz: 22 de agosto até 6 de novembro de 2026

Horário: das 12h às 19h

Local: Mendes Wood DM - São Paulo, Barra Funda
Endereço: Rua Barra Funda 216, São Paulo, São Paulo

Contato
11 3081 1735
info@mendeswooddm.com


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