Exposição individual “Ciclo”, de Toz
Exhibition

Exposição individual “Ciclo”, de Toz

Exhibition

  • Nome: Exposição individual “Ciclo”, de Toz
  • Abertura: 15 de março 2026
  • Visitação: até 18 de abril 2026

Local

  • Place: Galeria Movimento
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua dos Oitis, 15, Gávea – Rio de Janeiro, RJ

CICLO


Cor e geometria como eixo de uma pesquisa em maturação: Toz celebra 30 anos de trajetória artística e 50 de vida em nova exposição na Galeria Movimento, na Gávea



A Galeria Movimento, no Rio de Janeiro, inaugura, no dia 15 de março de 2026, às 15h, a exposição “Ciclo”, do artista visual Tomaz Viana, o Toz. A abertura acontece no dia em que ele completa 50 anos e marca também os seus 30 anos de carreira, configurando-se como um ponto de síntese, maturidade e transformação em sua produção. Com curadoria de Paula Mesquita, a mostra reúne um corpo de trabalhos que reflete esse momento de passagem.


“A trajetória do Toz sempre foi feita de risco, insistência e liberdade. Acompanhar esse percurso é reconhecer como essas qualidades se transformaram em linguagem sem perder a potência inicial. ‘Ciclo’ sintetiza muito do que vi o Toz construir ao longo desses 30 anos, a partir de uma relação singular com a forma e com o tempo”, afirma Ricardo Kimaid, diretor da Galeria Movimento.


De origem grega, a palavra ciclo carrega a ideia de processo: algo que dura, se transforma e retorna, sem se encerrar de fato. Em “Ciclo”, essa noção atravessa simultaneamente a biografia e a linguagem de Toz. “A experiência acumulada ao longo do tempo não se organiza aqui como balanço retrospectivo, mas como passagem”, pontua Paula Mesquita. Trata-se de um movimento de síntese em que certos motivos retornam mais concentrados, mais conscientes do próprio ritmo e da própria forma.

 

Nascido na rua, no grafite e na pulsação da cidade, o vocabulário visual de Toz tornou-se reconhecível justamente por combinar gesto, cor e narrativa. Ao longo de três décadas, essa matriz urbana se expandiu para a pintura, a escultura e o espaço expositivo, sem perder a energia de origem. 


Essa expansão se manifesta também em projetos especiais realizados em diferentes contextos urbanos e institucionais no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, Toz desenvolveu murais, instalações e intervenções site-specific em cidades como Paris, Madri e Hong Kong, além de projetos apresentados em espaços como a Sede das Nações Unidas, em Genebra. Essas experiências ampliam o alcance de sua linguagem e reafirmam a circulação internacional de uma obra capaz de dialogar com múltiplos territórios.


Forma, repetição e maturidade

A repetição sempre foi um motor no trabalho de Toz, articulando insistência, disciplina e método. Personagens como Nina, Shimu e o Vendedor de Alegria incorporam essa recorrência por meio da curva, da bola e do círculo, formas que reaparecem em diferentes situações e atmosferas. Em “Ciclo”, essa insistência deixa de operar prioritariamente como narrativa figurativa e passa a organizar o campo visual da obra, orientando ritmo, composição e cor.


“Tudo vira círculo para mim. A repetição faz parte do meu processo. É insistindo que as coisas mudam”, diz o artista.


Nas pinturas apresentadas, séries de círculos se organizam em campos cromáticos marcados por linhas vivas e levemente irregulares. Não há simetria rígida nem precisão matemática. O gesto permanece visível, o traço é feito à mão livre e o erro é incorporado como linguagem. Em meio à repetição, um único círculo preenchido irrompe, carregando memória cromática e vestígio do que já esteve ali. A continuidade se constrói por variações, desvios e tensões.


Para a curadora, esse jogo entre repetição e diferença é central na exposição: “A forma circular emerge como síntese. Aquilo que antes era personagem se condensa em estrutura, sem que a experiência acumulada se perca. Ela apenas se reorganiza”.


Do personagem à estrutura

Figura central da trajetória de Toz, o Vendedor de Alegria, personagem inspirado nos vendedores ambulantes de bolas coloridas das praias brasileiras, não desaparece em “Ciclo”. Ele se transforma. Ao longo dos últimos anos, o artista vem desconstruindo essa figura até restar seu núcleo formal, o círculo. O que antes era corpo e narrativa se converte em estrutura, abrindo caminho para uma investigação cada vez mais abstrata e geométrica.


“Essa passagem não é um rompimento, é uma continuidade mais profunda. Tem a ver com um tempo maior no ateliê, com mais concentração, mais reflexão e rigor no processo”, analisa Toz. “Quando eu era mais novo, queria fazer tudo ao mesmo tempo. Hoje, o ritmo é outro, o trabalho ficou mais consciente”.


Pintura, espaço e corpo

A pesquisa formal se expande para além da superfície das telas. Em “Ciclo”, os círculos ganham tridimensionalidade e se transformam em esculturas em formato de meia-esfera, que ocupam o chão e as paredes da galeria. A pintura deixa o plano e passa a estabelecer uma relação direta com o espaço e com o espectador.


Esse movimento evidencia um pensamento espacial presente na obra de Toz desde a arte urbana. Antes da moldura, houve o muro; antes do ateliê, a cidade. A experiência do grafite formou no artista uma compreensão expandida do espaço, agora reelaborada em diálogo com a tradição construtiva brasileira e com questões caras ao neoconcretismo.


Como observa a curadora, “a investigação formal se expande para além da superfície. O círculo torna-se corpo, a imagem vira objeto, e a geometria deixa de ser apenas construção racional para se aproximar da experiência”.


Essa expansão da linguagem, que articula forma, espaço e experiência, tem se refletido também na circulação pública da obra. Em 2023, a mostra “Todas as cores”, individual de Toz apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, registrou o maior público da história da instituição desde sua inauguração em 1996, com mais de 40 mil visitantes. O resultado reafirma o alcance de sua produção artística.


Cinquenta anos: o tempo como construção de linguagem

Essa lógica de disciplina, repetição e formação ultrapassa o campo da obra e atravessa também a vida do artista. Há cerca de uma década, Toz desenvolve um trabalho continuado de formação esportiva voltado a crianças e jovens por meio do jiu-jitsu: o Projeto Paz. A iniciativa atua hoje na região do Salgueiro e em Santa Teresa, reunindo dezenas de participantes em atividades regulares de treino e convivência.


“O envolvimento social sempre fez parte da minha vida”, comenta Toz. “O grafite me levou para lugares esquecidos pelo poder público e pela sociedade, e foi ali que meu trabalho se formou. Depois, o jiu-jitsu entrou como um caminho de disciplina e cuidado. A repetição, o respeito e a constância transformam o corpo e a vida.” O artista também atua em diálogo com iniciativas consolidadas de formação esportiva, como o Instituto Reação, fundado pelo atleta olímpico Flávio Canto.


Ao completar 50 anos, Toz transforma a própria trajetória em matéria de trabalho. “Ciclo” não se apresenta como retrospectiva nem como encerramento, mas como consciência de percurso. Um momento em que o artista reconhece seus caminhos, revisita suas origens e abre novos desdobramentos.


Entre repetição e diferença, superfície e volume, gesto e estrutura, a exposição constrói um estado de liberdade. Com “Ciclo”, Toz reafirma sua singularidade no panorama da arte brasileira contemporânea. Um artista que emerge da rua, atravessa o sistema institucional sem se domesticar por ele e chega à maturidade convertendo repetição e disciplina em linguagem.


Mais sobre o artista

Tomaz Viana (Salvador, 1976), conhecido como Toz, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Iniciou sua trajetória artística no final dos anos 1990 como integrante do Fleshbeck Crew, grupo pioneiro do graffiti carioca. Ao longo de 30 anos de produção, desenvolveu uma obra que articula pintura, desenho, muralismo, instalação e projetos site-specific, com exposições em instituições como o MAC Niterói, o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, o Museu Chácara do Céu e a Caixa Cultural, além de projetos no Brasil e no exterior.


Service

“CICLO”, de Toz

Curadoria: Paula Mesquita


Abertura: 15 de março de 2026, das 15h às 18h

Encerramento: 18 de abril de 2026


Local: Galeria Movimento

End: Rua dos Oitis, 15 - Gávea - Rio


Tel: (21) 2267-5989 | Whatsapp (21) 97114-3641

Contato: contato@galeriamovimento.com 

Site: www.galeriamovimento.com

Instagram: @galeriamovimento 


Horários de funcionamento:

De terça a sexta, das 11h às 19h

Sábados, das 12h às 18h



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