Exposição individual "Irracional", de Frederico Filippi
Exhibition
- Nome: Exposição individual "Irracional", de Frederico Filippi
- Abertura: 01 de agosto 2026
- Visitação: até 10 de outubro 2026
Local
- Local: Marli Matsumoto Arte Contemporânea
- Online Event: No
- Endereço: Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena — São Paulo, SP
Frederico Filippi transforma acaso e descontrole em motores de criação em Irracional, na Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Com curadoria de Germano Dushá, a primeira individual do artista na galeria reúne esculturas que funcionam como apiários, pinturas com cera de abelha e piche e fragmentos de tratores apreendidos em garimpos ilegais
A Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura, em 1º de agosto, Irracional, primeira exposição individual de Frederico Filippi na galeria. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne diferentes grupos de trabalhos inéditos nos quais o acaso, o descontrole e o gesto errático surgem como motores de criação. A exposição permanece em cartaz até 10 de outubro, em São Paulo.
Em Irracional, Filippi articula procedimentos digitais, materiais orgânicos e objetos encontrados para investigar os limites da racionalidade e do controle. Entre o fabricado e o apropriado, a vitalidade e a destruição, suas obras tomam o caos não como ausência de ordem, mas como uma força capaz de produzir formas, imagens e significados.
Na série Uma cabeça dentro da outra, objetos de madeira são esculpidos a partir de modelos digitais gerados por processos aleatórios de extrusão. Suspensas no espaço, as formas indefinidas funcionam também como apiários reais: durante o período da exposição, abrigam abelhas vivas, incorporando-as ao ecossistema da galeria.
As obras colocam em contato duas lógicas distintas. Do lado de fora, a aleatoriedade e a imprecisão das formas artificiais; no interior, os códigos organizados e inteligíveis do enxame. A convivência entre o processo digital, a matéria esculpida e a atividade das abelhas torna a transformação parte constitutiva do trabalho.
Já nas pinturas da série Notas perecíveis, colagens produzidas com imagens extraídas do vocabulário científico são sobrepostas a camadas de cera de abelha e manchas de piche. A combinação de materiais faz emergir composições densas e instáveis, nas quais a desordem natural parece solapar a tentativa humana de compreender e organizar o mundo por meio de sistemas racionais.
Completa a exposição um conjunto de ready-mades formado por fragmentos de tratores incinerados pela Polícia Federal durante operações contra garimpos ilegais. Retiradas de seu contexto original, essas peças assumem uma presença espectral: são, ao mesmo tempo, figuras disformes produzidas pela ação imprevisível do fogo e vestígios concretos da exploração e da destruição ambiental.
Em todos os trabalhos, prevalece a recusa do cálculo e da racionalidade científica em favor de uma ininteligibilidade produtiva. "Há um aspecto de descontrole, algo que dispara uma forma quase autônoma. No lugar de uma organização rígida, há sempre uma viscosidade: que está nos materiais empregados e no tempo em que os trabalhos são feitos, mas que também dá forma à especulação mental e aparece como linguagem", afirma Filippi.
Ao aproximar o orgânico e o digital, a criação e a aniquilação, Irracional apresenta cada obra como a consequência visível de um pensamento que persegue o caos como princípio definidor do mundo.
Sobre Frederico Filippi
Frederico Filippi nasceu em São Carlos, em 1983, e vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, investiga os conflitos presentes na mitologia do progresso e as imagens residuais das fricções entre fenômenos sociais e acontecimentos naturais.
Entre suas principais exposições individuais estão Cobra Grande, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre 2022 e 2023; Terra de Ninguém, na Galeria Leme, em 2020; Cobra Criada, na Galeria Athena, no Rio de Janeiro, em 2019; e Fogo na Babilônia, no Pivô, em São Paulo, em 2015. Participou recentemente das coletivas Histórias da ecologia, no MASP, em 2025, e do 38º Panorama da Arte Brasileira, no MAM São Paulo, em 2024.
Sobre Germano Dushá
Germano Dushá nasceu na Serra dos Carajás, em 1989, e vive e trabalha em São Paulo. Curador, escritor e agente cultural, desenvolve uma prática situada no cruzamento entre estética, crítica e tradições esotéricas. Por meio de experimentações curatoriais, literárias e hipermídia, investiga imaginários sociais, experiências subjetivas radicais e processos de transmutação.
Entre as exposições que realizou recentemente estão Esfíngico Frontal, na Mendes Wood DM, e Arqueia mas não quebra, na Almeida & Dale, ambas em 2023; Calor Universal, na Pace Gallery, e Semana sim, Semana não, na Casa Zalszupin, em 2022; e Terra e Temperatura, na Almeida & Dale, em 2021.
SOBRE MARLI MATSUMOTO ARTE CONTEMPORÂNEA
Inaugurada em agosto de 2021, a galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea está instalada na Vila Madalena, em uma casa estilo modernista do final dos anos 50.
Representa os artistas Elvis Almeida, Francesco João, Juan Casemiro, Leka Mendes, Mayana Redin, Natalie Braido, Ricardo Basbaum, Rosario López e Rubiane Maia. Atua pontualmente no mercado secundário com obras dos anos 60 em diante, de artistas renomados, com os quais a diretora trabalhou ao longo de sua trajetória, como Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Cildo Meireles, dentre outros.
Mantém um programa consistente de exposições individuais e coletivas que contam com textos de autores relevantes na crítica contemporânea, tais como Ana Roman, Niccolò Gravina, Oliver Basciano, Jacopo Crivelli Visconti, José Augusto Ribeiro, dentre outros. Um diferencial são os projetos colaborativos com outras galerias e espaços culturais independentes, tais como Sardenberg (antiga Projeto Vênus), Capacete e Desapê, para viabilizar projetos específicos —como a instalação Urania (uma novela, um entretenimento, um meme, uma ficção) de Renata Lucas, realizada em agosto de 2025, em colaboração com a galeria Luisa Strina.
Service
Frederico Filippi: Irracional
com curadoria de Germano Dushá
Abertura: sábado, 1º de agosto, das 14h às 19h
até 10 de outubro de 2026
Ter. a sex., das 11h às 19h. Sáb., das 12h às 17h
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena — São Paulo/SP
@marlimatsumoto_ / marlimatsumoto.com.br
Em dezembro de 2025, a galeria ganha um espaço permanente na Travessa Dona Paula, no centro de São Paulo, o Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo.