Exposição individual "Não lugares" de Vera Chaves Barcellos
Exhibition

Exposição individual "Não lugares" de Vera Chaves Barcellos

Exhibition

  • Nome: Exposição individual "Não lugares" de Vera Chaves Barcellos
  • Abertura: 22 de agosto 2026
  • Visitação: até 03 de outubro 2026

Local

  • Local: Galeria Zielinksy
  • Online Event: No
  • Endereço: Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis - São Paulo, SP

Aos 88, Vera Chaves Barcellos apresenta trabalhos inéditos na Zielinsky

Em Não lugares, uma das pioneiras da arte conceitual e da experimentação fotográfica no Brasil investiga espaços de passagem, deslocamentos e presenças fugidias


Com mais de seis décadas de trajetória artística, Vera Chaves Barcellos inaugura, em 22 de agosto, a exposição Não lugares, na Zielinsky, em São Paulo. A mostra reúne trabalhos inéditos nos quais a artista investiga espaços de trânsito e permanência provisória por meio da fotografia, do vídeo e de procedimentos de montagem, inversão e sobreposição de imagens. Um texto crítico assinado por Cristiana Tejo acompanha a exposição.

Referência da arte contemporânea brasileira, Barcellos participou de movimentos decisivos para a renovação das práticas artísticas no país a partir dos anos 1970. Integrou o Nervo Óptico, coletivo criado em Porto Alegre que questionou os formatos tradicionais de exposição e circulação da arte, e foi uma das fundadoras do Espaço N.O., dedicado à produção experimental. Ao longo da carreira, participou das bienais de São Paulo (1967, 1977, 1983, 1989), Veneza (1976), Havana (1984) e Mercosul (2005), além de ter integrado a histórca exposição Mulheres Radicais. Sua obra foi incorporada a importantes acervos nacionais e internacionais.

Conhecida por trabalhos históricos como Epidermic Scapes e On Ice, ambos da década de 1970, ela optou por concentrar Não lugares em sua produção recente. "Tenho feito exposições mais abrangentes, nas quais mostro trabalhos antigos. Desta vez, quis mostrar que estou viva e trabalhando ainda, aos meus 88 anos", afirma.

O título parte do conceito formulado pelo antropólogo francês Marc Augé para designar espaços de passagem, como aeroportos, estradas e salas de espera — ambientes que não se configuram como lugares de moradia, trabalho ou construção de vínculos duradouros. A ideia levou Barcellos a revisitar seu extenso arquivo fotográfico, no qual encontrou imagens produzidas durante deslocamentos e momentos de espera.

"Lido muito com a experimentação com imagens, com aquilo que elas podem fornecer de interessante para formar um trabalho, um conceito ou uma ideia", explica. "Percebi, olhando meus arquivos, que tinha muitas fotografias de não lugares, de espaços de trânsito e aeroportos. Havia ali um viés interessante a ser explorado."

As obras nasceram de registros realizados em diferentes períodos e circunstâncias, muitos deles feitos espontaneamente com o celular. Em vez de documentar esses ambientes de maneira objetiva, a artista volta sua atenção para reflexos, sombras e figuras de passagem, tornando instáveis os limites entre presença e ausência, figuração e abstração.

Em Fantasmas, fotografias do chão brilhante de um aeroporto mostram apenas os reflexos invertidos dos passageiros, transformados em aparições sem identidade reconhecível. Outro trabalho parte de imagens do trânsito em um dia de chuva em São Paulo. Convertidas em negativos e sobrepostas, as fotografias fazem carros, luzes e superfícies molhadas parecerem se dissolver.

A exposição apresenta ainda backlights originados de fotografias de balões decorativos encontrados em uma sala de espera. Sombras e reflexos de pessoas surgem em suas superfícies e, depois de ampliados e invertidos, aproximam-se da abstração. Em um vídeo construído a partir de fotografias sobrepostas, personagens atravessam uma praia ao final da tarde, surgindo e desaparecendo na paisagem como figuras quase espectrais.

Grande parte dos trabalhos assume a forma de dípticos, nos quais uma imagem é repetida com alterações de orientação ou cor, frequentemente em diálogo com seu negativo. Apesar do uso de ferramentas digitais, a artista preserva as características da tomada fotográfica. "Faço questão de não deformar muito as imagens. São intervenções mínimas. Uso contraste, acentuo um pouco a cor e trabalho bastante com a inversão, com o negativo", explica.

O conjunto inclui obras produzidas em 2025 e 2026 e um trabalho relacionado a uma série iniciada em 2014, no qual a imagem é dividida em módulos e remontada como um quebra-cabeça. Apresentadas em suportes como tela, metacrilato, backlight e vídeo, todas as obras de Não lugares são exibidas pela primeira vez. A exposição fica em cartaz até dia 3 de outubro.

Sobre Vera Chaves Barcellos
Vera Chaves Barcellos (Porto Alegre, 1938) dedicou-se à gravura nos anos 1960. Entre 1961 e 1962, realizou cursos na Central School of Arts and Crafts, em Londres, e na Académie de la Grande Chaumière, em Paris. Em 1975, quando sua produção já estava centrada na fotografia, estudou no Croydon College, em Londres, com bolsa do British Council.

Com a série Testarte, composta por fotografias e textos, representou o Brasil na Bienal de Veneza (1976). Entre 1976 e 1978, integrou o grupo Nervo Óptico, conhecido pelo uso experimental da fotografia e pela investigação de novas linguagens. Desde os anos 1960, realizou exposições individuais em diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Japão, Colômbia, Argentina, Alemanha e Espanha, além de participar de importantes exposições coletivas na América Latina, América do Norte e Europa. Entre suas mostras de maior abrangência destacam-se O grão da imagem, no Santander Cultural, em Porto Alegre (2007); Imagens em Migração, no Museu de Arte de São Paulo (2009); e O estranho desaparecimento de Vera Chaves Barcellos, na Fundação Iberê, em Porto Alegre (2023). Em 2010, apresentou a instalação multimídia Per Gli Uccelli na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas, entre elas as do MACBA (Barcelona), do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri) e da Coleção Jorge M. Pérez (Miami). Desde 2004, dirige a Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), no Rio Grande do Sul, instituição dedicada à arte contemporânea que preserva parte significativa de sua produção.

Sobre a Zielinsky
A Zielinsky é uma galeria de arte contemporânea fundada em 2015, em Barcelona, pelos brasileiros Carla Zerbes Zielinsky e Ricardo Zielinsky. Em 2024, inaugurou sua nova sede em São Paulo, na Travessa Dona Paula. Comprometida com a promoção de artistas ibero-americanos, a galeria busca fortalecer a circulação internacional da arte contemporânea e consolidar-se como uma plataforma de difusão, reflexão e desenvolvimento artístico.

Serviço
Vera Chaves Barcellos: Não lugares
Texto crítico de Cristiana Tejo

Abertura: 22 de agosto, sábado, 15h às 18h
Visitação: 22 de agosto a 3 de outubro
Entrada gratuita

Zielinksy
Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis, São Paulo
Ter. a sex., das 11h às 19h. Sáb., das 11h às 17h 


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