Exposição individual "O Cordial, o Simpático e o Vândalo", de Marcelo Cidade
Exhibition

Exposição individual "O Cordial, o Simpático e o Vândalo", de Marcelo Cidade

Exhibition

  • Nome: Exposição individual "O Cordial, o Simpático e o Vândalo", de Marcelo Cidade
  • Abertura: 03 de março 2026
  • Visitação: até 18 de abril 2026

Local

  • Local: Galeria Vermelho
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis – São Paulo, SP

O Cordial, o Simpático e o Vândalo


A Vermelho apresenta, a partir de 3 de março de 2026, O Cordial, o Simpático e o Vândalo, 10ª individual de Marcelo Cidade na galeria. A exposição reúne um novo conjunto de obras desenvolvido pelo artista ao longo dos últimos dois anos.


A mostra é acompanhada por um texto de Ginevra Bria, resultado de uma convivência e interlocução crítica de mais de uma década com o artista, no qual a autora detalha as pesquisas, os procedimentos e os desdobramentos conceituais da prática de Cidade.



Em O Cordial, o Simpático e o Vândalo, Marcelo Cidade articula arquitetura, política e subjetividade para investigar as tensões entre espaço público e esfera privada, ou seja, entre aquilo que pertence à vida coletiva e aquilo que se organiza no âmbito íntimo e doméstico. A mostra também aborda as relações entre controle e resistência, evidenciando como dispositivos urbanos e arquitetônicos podem tanto regular comportamentos quanto ser apropriados como instrumentos de contestação. Por fim, o artista aproxima interioridade e violência estrutural, sugerindo que formas históricas de desigualdade e exclusão não operam apenas no campo social, mas atravessam a formação subjetiva e os modos de habitar o espaço.


A exposição parte da instalação 8 de janeiro de 2023 (Engenhosidade de campo), uma estrutura monumental instalada na fachada da galeria, que funciona como marco simbólico e político da mostra, evocando acontecimentos recentes da história brasileira.


A partir desse gesto inaugural, o artista apresenta obras que mobilizam materiais urbanos, domésticos e dispositivos arquitetônicos como ferramentas críticas. Grades, guaritas, gavetas, carpete, garrafas plásticas, espátulas e outros elementos deslocados do cotidiano são reorganizados como signos que tensionam noções de ordem, progresso e racionalidade associadas à modernização brasileira.


O título da exposição remete às categorias formuladas por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, retomadas por Cidade como chave para pensar a formação social brasileira. Entre o cordial e o simpático, o artista observa como a cidade e a arquitetura organizam relações, aproximam e separam corpos, definem limites e consolidam hierarquias no cotidiano. O vândalo introduz fricção nesse arranjo, expondo as tensões e instabilidades que o sustentam.



As esculturas, instalações e intervenções de Cidade se articulam como campo expandido de ação. As obras não apenas ocupam o espaço expositivo, mas o reconfiguram, instaurando situações que convidam o espectador a reconsiderar seu próprio posicionamento dentro das estruturas sociais e arquitetônicas que atravessam o cotidiano.


8 de janeiro de 2023 (Engenhosidade de campo)

Instalação composta por grades de contenção que atravessam a fachada da galeria. O trabalho remete às estruturas que, nos ataques de 8 de janeiro de 2023, foram removidas dos perímetros de segurança e reconfiguradas como barricadas e passagens improvisadas para acessar os edifícios públicos. A instalação se apresenta como cicatriz e dispositivo de invasão, tensionando os limites entre interior e exterior, espaço público e esfera simbólica.


Quartinho (1:1)

Série de recortes em carpete, em escala real, de quartos de empregados retirados de projetos emblemáticos da arquitetura moderna brasileira. Ao enfatizar o diminutivo “inho”, a obra expõe desigualdades estruturais naturalizadas na organização espacial e social do país.


Dentro de fora

Na série Dentro de fora, Marcelo Cidade coloca em relação a rua e o ambiente doméstico. O artista recolhe gavetas descartadas no espaço público e, por meio de cortes, inversões e rearranjos, expõe simultaneamente seus lados internos e externos. O gesto transforma o objeto que antes guardava em algo revelado, tensionando as fronteiras entre o íntimo e o coletivo, entre o abrigo da casa e a rua.


A repetição das estruturas ao longo da série opera como um estudo de enquadramento e repetição modular, evocando Hommage au carré, de Josef Albers, na construção de quadrados sucessivos que articulam interior e exterior, moldura e núcleo, tensionando a percepção de plano e profundidade.


Greve

Escultura formada pela combinação disfuncional de duas espátulas. A simetria deslocada produz inutilidade deliberada, evocando paralisação, resistência e a materialidade do trabalho manual no espaço urbano.


Resíduo privado de um corpo laboral explorado (situação 2)

A obra parte de garrafas plásticas que, durante a pandemia, foram usadas como urinóis improvisados por motoristas de aplicativos e taxistas sem acesso a banheiros públicos. Ao incorporar a presença da urina como resíduo invisível do corpo laboral, Marcelo Cidade evidencia a precarização do trabalho urbano e tensiona a distância entre forma estética e realidade social.


A repressão da representação

Série de arabescos compostos com abraçadeiras plásticas, inspirada em Ornamento e crime (1908), de Adolf Loos, texto que associava o ornamento à ideia de atraso cultural. Marcelo Cidade revisita esse debate para examinar como o modernismo instituiu critérios de valor que reprimiram determinadas formas simbólicas.


Ao recorrer aos arabescos da arte islâmica e a tradições contemplativas como o sufismo e o taoismo, o artista contrapõe-se à lógica funcionalista da modernidade. As composições afirmam o ornamento, mas são construídas com um material destinado a prender e conter, revelando, na própria estrutura, a tensão entre forma, controle e poder.


Tempo de tela

Obra composta por películas de celular rachadas. As fissuras formam composições labirínticas que aludem à obsolescência programada, à fragilidade tecnológica e às tensões entre liberdade aparente e estruturas invisíveis de controle.


Vigilante

Guarita industrial cortada e cristalizada em fibra de vidro. Ao desfuncionalizar o dispositivo de segurança, a obra questiona os sistemas de vigilância e proteção que estruturam o espaço urbano contemporâneo.


Marcelo Cidade

Marcelo Cidade (São Paulo, 1979) mobiliza procedimentos como apropriação, deslocamento e reconfiguração de signos urbanos e institucionais em diálogo com a tradição conceitualista. O artista incorpora materiais e situações da rua em instalações e intervenções que abordam violência, desigualdade, segregação e controle. Referências formais da arte, da arquitetura e do urbanismo modernos, tanto no Brasil quanto em contextos internacionais, são acionadas não como modelos, mas como matéria crítica.


Desde o início dos anos 2000, sua produção se constitui como reflexão crítica sobre os ideais de modernização, examinando seus impasses, promessas não cumpridas e contradições estruturais e sociais. Seu trabalho foi apresentado em instituições como Tate Liverpool; Palais de Tokyo; Storefront for Art and Architecture; Kadist; Kunst-Werke; Fundación Jumex; Museo Universitario del Chopo; MUSAC; Fundação Serralves; além de bienais como a Bienal de São Paulo, a Bienal do Mercosul e a Oslo Biennale.


Colecões selecionadas

Tate Modern, London, England

Pinacoteca do Ceará, Fortaleza, Brazil

Phoenix Art Museum, Phoenix, USA

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, São Paulo, Brazil

Museo Tamayo, Mexico City, Mexico

Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP), São Paulo, Brazil

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo, Brazil

Kadist Art Foundation, Paris, France

Itaú Cultural, São Paulo, Brazil

Fundação Serralves, Porto, Portugal

Bronx Museum of the Arts, New York, USA


Ginevra Bria

Ginevra Bria é historiadora e curadora com atuação internacional. Desde 2004, desenvolve pesquisas e projetos curatoriais ligados aos arquivos do crítico Carlo Belloli e da escultora brasileira Mary Vieira, colaborando com instituições como CCBB São Paulo, Centro Pecci (Prato), Grand Palais (Paris), MoMA (Nova York), Museum Tinguely (Basel) e ZKM (Karlsruhe).


Participou de projetos como o Pavilhão Armênio, vencedor do Leão de Ouro na 56ª Bienal de Veneza (2015), e integrou a X Berlin Biennale (2018). É fundadora do FuturDome, em Milão, e atualmente é doutoranda em História da Arte na Rice University.


SERVICE

MARCELO CIDADE: O Cordial, o Simpático e o Vândalo


Abertura: 3 de março de 2026, das 19h às 22h

Período: 3 de março a 18 de abril de 2026


Local: Galeria Vermelho

Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis


De segunda a sexta, das 10h às 19h

Sábados, das 11h às 17h

01244-010 – São Paulo, SP

Tel.: +55 11 3138-1520

galeriavermelho.com.br

Mais informações: gabriel@galeriavermelho.com.br 




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