Exposição "Molduras e Portais"
Exhibition

Exposição "Molduras e Portais"

Exhibition

  • Nome: Exposição "Molduras e Portais"
  • Abertura: 06 de novembro 2021
  • Visitation: until

Local

  • Local: Casa Jacarepagua - Rua João Della Manna, 1228 - São Paulo, SP
  • Online Event: No

Exposição "Molduras e Portais" na Galeria Jacarepaguá

A prática de delinear um local dentro do qual a expressão artística toma vida é antiga e distante, se espalhando ao longo das eras através do mundo e das culturas. Há algo em criar um portal para a imaginação que atrai o ser humano, independente de tempo e espaço. 

No Egito, Grécia e Roma se entalhava ou pintava diretamente no suporte a demarcação dentro da qual a arte se manifestaria, com o propósito de guiar o olhar e separar cenas, criando janelas através das quais se podia observar outra dimensão que não o mundo concreto. 

A Europa medieval aprimorou a prática, suas molduras ofereciam não apenas proteção e suporte aos trabalhos artísticos, mas passaram a ser componentes fixos na arquitetura e nas construções monumentais dos palácios. 

Já no Renascimento, as molduras passam a ser independentes, assessórias da obra de arte, que se expande além das Igrejas e dos Palácios, se tornando produto de consumo das classes mais abastadas em larga escala, criando assim a demanda por molduras que pudessem ser transportadas e adaptadas a diversos ambientes.

Dando um salto de alguns séculos no tempo, a arte se popularizou, se globalizou, e nesta multiplicidade artística, as molduras acabaram sendo relegadas a mero componente protetor e demarcador, presente apenas no olhar periférico, às margens da arte. 

Em um mundo de bilhões de fotos de arte no Instagram, observadas em celulares, a moldura na maior parte das vezes é até cortada da imagem, que destaca apenas o limite da obra pintada, visando maximizar nossa visualização no limitado espaço de nossas telinhas portáteis de mão. 

Na literatura, "narrativa moldura" é o processo de ir inserindo, dentro de uma história, uma outra história O recurso busca costurar diferentes contos, gerando um "link" e uma falsa impressão de continuidade. Bom exemplo disto são os textos das "1001 noites". 

Na arte, uma única moldura pode acomodar ao longo de sua existência uma multidão de diferentes obras e histórias distintas, se tornando assim não apenas moldura, mas também uma "narrativa moldura". Uma história dentro da qual muitas outras se apresentam. Um portal que nos transporta para diversos mundos. 

A moldura acomoda todo o potencial da imaginação humana e convida o olhar para a contemplação. Nos mostra que o que está dentro dela é extraordinário e 

destoa de tudo aquilo que está fora. É a fronteira entre o real e o irreal, entre a imaginação e o concreto. E mesmo assim continua a ser vista apenas como margem.

A exposição Molduras e Portais traz para o lugar de protagonismo esse objeto tão rico em simbolismo e história, mas que tem sido posto no lugar de coadjuvante. 

Aqui a moldura transcende para além de acomodar arte e passa a ser a própria arte. 

A fronteira entre o irreal e o real se rompe, trazendo o imaterial para aquilo que é visto apenas como material. 

E, indo além, subvertemos a ordem dos fatos. Não mais a moldura é escolhida como complemento da arte, mas, ao contrário, desta vez a arte se subjuga, e foi criada a partir da moldura. 

Logo, o processo criativo precisou estabelecer a fronteira destas molduras como limite, e, ao mesmo tempo como motivador da inspiração. 

Os artistas convidados receberam molduras dos anos 40, 50 e 60, que sobreviveram ao tempo e, após uma vida de acomodar arte, de serem janelas para sonhos e visões, se tornam a própria obra de arte, os próprios sonhos e visões.

O desafio foi então criar suas narrativas artísticas a partir delas, e, não o contrário. 

A exposição traz os trabalhos de Gen Duarte, Derlon, Ciro Schu, Senk, Taly Cohen e Ozi. Estilos distintos tendo de se ater a um mesmo perímetro, uma mesma limitação temática e física.

Casa Jacarepaguá 

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The Artists 

Ciro Schu, artista que começou nas ruas nos anos 1990, atualmente dá vida a pinturas ora abstratas ora figurativas, nas quais mistura símbolos e grafias inspiradas nos povos originários das Américas. 

Conhecido pelos desenhos de traços fortes que remetem à xilogravura, o artista recifense Derlon leva às molduras pinturas que fazem referência à cultura interiorana dos retratos de família. 

Assíduo no circuito da arte urbana desde 1998, o artista Gen Duarte, nascido na Paraíba, tem na capital paulista uma fonte profícua de inspiração. Na coletiva, ele exibe sua série mais recente, "Plantas que protegem e curam", pinturas criadas a partir de suas reflexões sobre o protagonismo que as plantas exercem nas mais diversas religiões. 

Taly Cohen apresenta "Linhas do tempo", onde antigas molduras lhe lembram da casa da avó, das fotos posadas, de pessoas sérias, sem muita espontaneidade. A artista buscou então tais pessoas, anos depois, suas linhas de expressão, suas histórias e as sensações já no final da vida. 

Ozi, um dos pioneiros da arte urbana no Brasil, no ano em que completa 30 anos de arte, leva às molduras sua habitual técnica de stêncil, onde sempre criou figuras que vão do pop a imagens de santos, mas sempre provocando a crítica e a ironia e a reflexão, sobre temas como religião, sexo, violência, política, entre outros. 

Já o artista paulistano e com raízes mineiras, Fabiano Senk, ou apenas Senk, como prefere ser chamado, traz às molduras redondas rostos e olhos que se contemplam. Mas, rostos que se confundem com a dinâmica das janelas (nossos portais) de pequenas casas do interior do Brasil. 

 

Service

Exposição "Molduras e Portais"
Casa Jacarepagua 
Abertura de 6 de novembro
Rua João Della Manna, 1228 - São Paulo, SP

 

 

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