Exposições "A dignidade da matéria", de Sidival Fila, e "Um tumulto de titubeios", deBernardo Ortiz
Exhibition
- Nome: Exposições "A dignidade da matéria", de Sidival Fila, e "Um tumulto de titubeios", deBernardo Ortiz
- Abertura: 12 de março 2026
- Visitação: até 14 de maio 2026
- Gallery: Luisa Strina Gallery
Local
- Place: Galeria Luisa Strina
- Online Event: No
- Endereço: Rua Padre João Manuel, 755 – São Paulo, SP
Galeria Luisa Strina estreia primeira individual no Brasil do frade e artista Sidival Fila, e abre mostra do colombiano Bernardo Ortiz após nove anos
Com obras inéditas, as duas exposições abrem no dia 12 de março. Fila resgata fragmentos de tecidos antigos, que remetem às grandes tradições artesanais e devocionais e com uma perspectiva histórica, enfatizando a capacidade que a matéria tem em registrar o que já foi vivido. Ortiz investiga o desenho como forma de pensamento e de observação do mundo, e explora seus materiais, processos e possibilidades.
A galeria Luisa Strina abre 2026 com duas exposições inéditas, no dia 12 de março. Uma delas é Sidival Fila: A dignidade da matéria, primeira individual no Brasil do artista paranaense radicado na Itália, com cerca de 20 obras e texto crítico do curador de arte Giancarlo Hannud. A outra é Um tumulto de titubeios, do colombiano Bernardo Ortiz, que volta a expor na galeria após nove anos, com aproximadamente 10 obras e texto crítico assinado pela curadora Ximena Gama. Todos os trabalhos expostos foram desenvolvidos especialmente para ambas as mostras.
Tecido e sua perspectiva histórica
Frade franciscano e artista paranaense, há 40 anos radicado em Roma, na Itália, Sidival Fila é conhecido por resgatar e incorporar em seus trabalhos tecidos antigos que remetem a grandes tradições artesanais e devocionais, como linhos do século XVIII, brocados eclesiásticos, sedas florais e tecidos guatemaltecos feitos artesanalmente. Seu trabalho já foi apresentado em exposições na Itália, França e Alemanha. Em 2019, participou da 58ª edição da Bienal de Veneza, onde apresentou uma instalação site-specific no Pavilhão de Veneza. Mais recentemente, integrou a última ABERTO4, no ano passado, na Maison La Roche, em Paris.
Diferente de outros artistas que também utilizam tecidos antigos em suas criações e fazem relações que confluem com experiências pessoais, Fila apresenta uma perspectiva histórica, enfatizando a capacidade que a matéria tem em registrar o que já foi vivido.
“Acho que a matéria é capaz de armazenar e memorizar o tempo e o espaço, que permanecem impressos através da passagem da história, junto com as oxidações, as formas e as próprias características do tecido que alguém, no passado, produziu inserindo esse material em uma prática manual quase meditativa”, explica o artista.
De acordo com ele, até a física afirma que a matéria é capaz de armazenar memória e tempo. “Quando entramos em contato com isso, um conteúdo emocional é liberado. Trabalho nesse caminho porque o tecido fala comigo, sinto a energia que ele transmite”, conta. “Não vejo apenas uma questão estética na manualidade do gesto, a impressão, a fibra irregular, a textura áspera, o suor impregnado, mas a percepção de uma matéria que sobreviveu ao tempo e que meu trabalho ajuda a fazer persistir.”
A prática do trabalho do artista não é a do restauro, mas da recomposição daquilo que foi descartado. Para o crítico de arte Giancarlo Hannud, ao perder sua função, a matéria se revela em sua dignidade e torna-se espelho da própria dignidade humana. “É nesse sentido que a obra de Sidival pode ser compreendida como um humanismo silencioso na contemporaneidade. Um humanismo da escuta, da reparação e da atenção ao que permanece”, afirma.
Por vezes, a intervenção de Sidival Fila sob o tecido é mínima e o simples ato de esticá-lo é o suficiente, sua trama fala por si só. Em outras, age de maneira mais incisiva ao costurar, tensionar, recortar e suspender, depositando energia na matéria, como se ela fosse consciente de si mesma. “Em todos os casos, trata-se de retirar o fragmento de sua função original, à qual já não se presta por sua própria vivência, e conduzi-lo a um outro regime de presença”, acredita Hannud.
Com o trabalho do artista, o público entra em contato com fragmentos de tecidos de vários lugares do mundo, como Maiorca, Guatemala, África, Ásia, Albânia, Filipinas, Tailândia, Vietnã e o próprio Brasil, onde Sidival também apoia projetos educacionais e profissionais, por meio da Sidival Fila Philanthropic Foundation, que favoreçam a efetiva integração social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Desenhar o que não se vê
Um tumulto de titubeios apresenta o trabalho de Bernardo Ortiz, cuja pesquisa investiga o desenho como forma de pensamento e de observação do mundo. Mais do que produzir imagens, o artista colombiano explora o próprio ato de desenhar — seus materiais, processos e possibilidades —, bem como a relação entre palavra e imagem, que atravessa sua trajetória. Ele já realizou exposições individuais em cidades como Bogotá, Buenos Aires e Sevilha, e participou de exposições internacionais como a Bienal de Lyon (2011), a Bienal de São Paulo (2012) e a Bienal de Sydney (2016), entre outras.
A curadora Ximena Gama lembra das palavras do artista em um texto escrito por ele há anos: “O desenho não consiste simplesmente em tornar visível algo que já estava ali. Antes, permite revelar aquilo que normalmente não vemos.”
Em suas obras, Ortiz incorpora aquilo que escapa ao controle: erros, marcas do tempo, transformações dos suportes e acidentes do processo. O papel deixa de ser um fundo neutro, e tintas e materiais revelam sua própria história. Esses elementos, seja o envelhecimento do papel ou a diluição da tinta, não são corrigidos ou ocultados, tornam-se parte constitutiva do trabalho. Assim, cada peça se constrói a partir da convivência entre precisão e imprevisibilidade, cálculo e memória.
O artista também se utiliza de anotações, leituras e imagens acumuladas em suas experiências cotidianas, que refletem uma experiência fragmentada e simultânea da realidade. Em vez de propor um sentido único, os trabalhos mantêm abertas múltiplas possibilidades de interpretação, convidando o público a um olhar atento e sensível.
Ao tensionar os limites entre texto e imagem, o trabalho de Bernardo Ortiz questiona a estabilidade do significado e desloca a percepção do espectador. Desenhar, nesse contexto, não é afirmar certezas, mas inaugurar novas formas de ver e compreender o mundo.
Luisa Strina Gallery
Fundada em 1974, a galeria Luisa Strina é pioneira na promoção de uma geração de artistas conceituais brasileiros e reconhecida pelo papel decisivo na consolidação do mercado de arte contemporânea no país.
Em 1992, tornou-se a primeira galeria latino-americana a participar da Art Basel. Desde então, mantém presença constante nas principais feiras do circuito global, entre elas Art Basel (Basel, Paris e Miami Beach), ARCO (Madrid), Frieze (Londres e Nova York) e SP-Arte (São Paulo).
Obras de artistas representados pela galeria integram coleções institucionais de grande prestígio ao redor do mundo, como MoMA (Nova York), Guggenheim (Nova York), Tate Modern (Londres), Museo Reina Sofía (Madri), MASP (São Paulo), Pinacoteca de São Paulo, Instituto Inhotim (Brumadinho), Centre Pompidou (Paris), Coleção Pinault (Paris e Veneza), entre outras. Muitos de seus artistas já participaram da Bienal de Veneza, da Bienal de São Paulo e da Documenta de Kassel, consolidando sua projeção internacional.
Atualmente, a Luisa Strina representa mais de quarenta artistas brasileiros e estrangeiros, reunindo nomes fundamentais da cena latino-americana e internacional. Ao mesmo tempo em que reafirma parcerias de décadas, a galeria continua investindo em novas gerações, preservando sua relevância e pioneirismo no cenário global da arte contemporânea.
SERVICE
Sidival Fila: A dignidade da matéria
Local: Sala 1
Bernardo Ortiz: Um tumulto de titubeios
Local: Sala 2
Abertura: dia 12 de março de 2026 (quinta-feira), de 18h às 21h
Visitação: de 12 de março a 16 de maio 2026
Horários: Segunda a sexta, de 10h às 19h; sábado, de 10h às 17h
Endereço: Luisa Strina | Rua Padre João Manuel, 755 | São Paulo, Brasil