Exposições individuais "Habitual" e "Olga não me deu nada como herança", de Samara Paiva e Juliana Lapa
Exhibition
- Nome: Exposições individuais "Habitual" e "Olga não me deu nada como herança", de Samara Paiva e Juliana Lapa
- Abertura: 16 de maio 2026
- Visitação: até 08 de agosto 2026
Local
- Local: Claraboia
- Online Event: No
- Endereço: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906 – São Paulo, SP
Claraboia apresenta individuais de Samara Paiva e Juliana Lapa
Em cartaz a partir de 16 e 30 de maio, respectivamente, "Habitual" e "Olga não me deu nada como herança" investigam a construção da imagem e suas implicações políticas, históricas e sensíveis
Programa "Encontros e Atravessamentos" recebe Agnaldo Farias com a palestra "Bienais (Veneza, São Paulo e outras) – Modo de usar e contraindicações", no dia 19 de maio, às 19h30
A Claraboia inaugura, ao longo do mês de maio, duas novas exposições individuais que, por caminhos distintos, colocam em evidência a pintura como campo de elaboração crítica e poética. No dia 16, a artista Samara Paiva abre "Habitual", com curadoria de Ariana Nuala. Já no dia 30, é a vez de Juliana Lapa apresentar "Olga não me deu nada como herança", sua primeira individual em São Paulo, com curadoria de Galciani Neves, realizada em parceria com a galeria Marco Zero.
Enquanto Samara constrói pinturas atravessadas pela suspensão do tempo, pelo repouso e pela permanência do corpo, Juliana elabora narrativas visuais em que memória, fabulação e experiência coletiva se entrelaçam. Em comum, as mostras articulam modos de pensar a imagem como espaço de tensão, elaboração e transformação.
Paralelamente à programação expositiva, a galeria dá continuidade ao programa "Encontros e Atravessamentos", que recebe o curador e crítico Agnaldo Farias no dia 19 de maio, às 19h30. Na palestra "Bienais (Veneza, São Paulo e outras) – Modo de usar e contraindicações", o convidado propõe uma reflexão sobre o papel das grandes exposições no sistema da arte contemporânea.
Samara Paiva: "Habitual"
Em "Habitual", a artista manauara apresenta um conjunto de pinturas que deslocam a imagem de qualquer lógica imediata de leitura, instaurando um campo de duração e permanência. Nada se organiza para ser rapidamente compreendido: o olhar entra como quem chega a uma cena em curso, sem início claro ou resolução, convocado a sustentar sua presença diante da obra.
As imagens operam como uma espécie de suspensão do tempo, uma "câmera lenta contínua", em que o acontecimento cede lugar à duração. O que está em jogo não é o que acontece, mas quanto tempo um corpo pode sustentar sua presença. Nesse contexto, a pintura se aproxima de um plano que exige permanência e devolve ao espectador a responsabilidade de sustentá-lo.
Essa operação ganha espessura a partir da pesquisa da artista, que reúne arquivos fotográficos de mulheres negras fora de regimes recorrentes de exposição, tensão ou fetichização. Os corpos que atravessam essas pinturas afirmam um estado de recolhimento e autonomia: deitados, apoiados ou em repouso, estabelecem seus próprios limites de visibilidade, deslocando-se de uma tradição que historicamente os construiu como corpos em função.
A materialidade da pintura é central nesse processo. Tons densos — entre âmbares, vermelhos escurecidos e marrons saturados — estruturam superfícies que evocam madeira, resina ou matéria orgânica, criando uma ambiência de suspensão. A cor não conduz o olhar, mas o retém, instaurando um espaço em que o tempo se acumula.
Nesse contexto, a ideia de casa também se transforma: não como um espaço dado, mas como algo que se produz a partir do corpo. Cada gesto — deitar, apoiar, permanecer — participa da construção de uma arquitetura mínima, sustentada pela repetição.
O título "Habitual" aponta, assim, para o processo de tornar possível, pela insistência, aquilo que historicamente foi negado às mulheres negras, como o descanso, o cuidado de si e o direito ao próprio tempo.
Juliana Lapa: "Olga não me deu nada como herança"
Em sua primeira individual em São Paulo, a pernambucana Juliana Lapa apresenta um conjunto de trabalhos que ocupam o espaço da Claraboia como um percurso, formando uma espécie de labirinto que convida o público a atravessar narrativas visuais densas, fragmentadas e em constante transformação.
A exposição parte de experiências marcadas por violência, perda e luta por memória e justiça, elaborando, a partir delas, um campo de fabulação em que arte, vida e política se entrelaçam de maneira indissociável. Longe de operar como ilustração ou denúncia direta, o trabalho da artista constrói imagens que tensionam o visível e o dizível, abrindo espaço para a elaboração de outras formas de existência.
Sua prática articula diferentes materiais e procedimentos. Sobre suportes de compensado, a artista aplica camadas de massa corrida policromada que, posteriormente, são raspadas e escavadas em um processo que a artista aproxima da estratigrafia. Esse método revela cores e formas em profundidade, tornando visíveis os vestígios do tempo e dos gestos que constituem a imagem.
Desenho, pintura, escrita e baixo-relevo se combinam em composições que recusam hierarquias tradicionais, aproximando texto e imagem em um fluxo contínuo. Pequenas cenas coexistem em simultaneidade, compondo uma dramaturgia pictórica em que diferentes tempos e ações se atravessam.
Nas obras, mulheres ocupam o centro das ações. Seus corpos, em constante transformação, articulam paisagens, rituais, afetos e insurgências: dançam, voam, acolhem, incendeiam, reinventam o mundo ao seu redor. São figuras que desafiam estruturas normativas e afirmam outras possibilidades de existência, memória e imaginação.
"Olga não me deu nada como herança" se constrói, assim, como um território onde fabulação e experiência se entrelaçam, afirmando o direito de reescrever narrativas e sustentar outras formas de vida.
Encontros e atravessamentos com Agnaldo Farias
Paralelamente à programação expositiva, a Claraboia dá continuidade ao programa Encontros e Atravessamentos, que recebe o curador e crítico Agnaldo Farias no dia 19 de maio, às 19h30. Na palestra "Bienais (Veneza, São Paulo e outras) – Modo de usar e contraindicações", o convidado propõe uma reflexão sobre o papel das grandes exposições no sistema da arte contemporânea.
Embora frequentemente associadas a uma lógica de espetáculo, bienais, trienais e mostras como a Documenta de Kassel seguem sendo espaços fundamentais para o contato com produções que escapam ao mainstream. Ao mesmo tempo, colocam desafios ao público: como atravessar esse volume de informações sem se perder na superficialidade?
A partir dessas questões, Farias apresenta reflexões críticas e sugestões práticas para a experiência do visitante, propondo formas de construir percursos possíveis dentro desses contextos expositivos ampliados.
Neste ano, a Claraboia inaugurou uma agenda de palestras, conversas e encontros com pensadores, artistas, curadores e pesquisadores, ampliando sua atuação como espaço de reflexão, escuta e troca. A programação reúne vozes de diferentes campos — da arte à filosofia, da literatura à psicanálise — em encontros que reafirmam o pensamento como prática viva, construída na experiência compartilhada. A entrada é gratuita, mediante lotação da galeria.
SOBRE A CLARABOIA
A Claraboia é uma galeria de pluralidade artística que nasce do desejo de fomentar a arte brasileira de maneira colaborativa e descentralizada, aproximando vozes, contextos e sensibilidades que nem sempre encontram visibilidade no circuito artístico tradicional.
Com atenção especial a produções e novos talentos que emergem de diferentes contextos culturais do país, a galeria trabalha para fortalecer essas expressões criativas dentro da narrativa contemporânea brasileira, valorizando suas dimensões intelectuais, críticas e poéticas.
Por meio de sua programação, a Claraboia propõe gestos de aproximação que incentivam o diálogo entre gerações, territórios e temporalidades, com o propósito de ser um espaço de encontro e troca entre diferentes agentes em torno da arte e das culturas brasileiras.
SERVICE
Samara Paiva: Habitual
Abertura: 16 de maio de 2026, das 11h às 15h
Visitação: 16 de maio a 13 de junho de 2026
Curadoria: Ariana Nuala
Claraboia
Juliana Lapa: Olga não me deu nada como herança
30 de maio a 8 de agosto de 2026
Curadoria: Galciani Neves
Realização: parceria com a galeria Marco Zero
Claraboia – 1º piso
Encontros e Atravessamentos – Agnaldo Farias
Bienais (Veneza, São Paulo e outras) – Modo de usar e contraindicações
19 de maio de 2026, às 19h30
Entrada gratuita, mediante lotação
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906
Jardim América, São Paulo – SP
Seg a Sex: 10h – 19h
Sáb: 11h – 15h