Exposições "Leka Mendes: astrofossil" e "Anna Bigão: DETOX"
Exhibition
- Nome: Exposições "Leka Mendes: astrofossil" e "Anna Bigão: DETOX"
- Abertura: 14 de março 2026
- Visitação: até 30 de abril 2026
Local
- Local: Marli Matsumoto arte contemporânea
- Online Event: No
- Endereço: Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena – São Paulo, SP
Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura programação de 2026 com individuais de Leka Mendes e Anna Bigão
A galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura seu programa de 2026 em 14 de março, sábado, com duas exposições individuais em sua sede, na Vila Madalena: astrofossil, de Leka Mendes, ocupa as duas salas principais da casa, e DETOX, de Anna Bigão, na sala de entrada.
A segunda exposição individual de Leka Mendes no espaço tem curadoria de Jacopo Crivelli. Nela, Mendes apresenta conjuntos de trabalhos distintos e, de certa forma, complementares. Uma das salas é ocupada por grandes trabalhos em tecido — inéditos no Brasil, a maioria deles foi realizada em 2023, durante uma residência artística na Cité Internationale des Arts, em Paris, e expostos também em Portugal. Na segunda sala estão reunidos trabalhos recentes, que incluem um conjunto de esculturas realizadas a partir de pequenas intervenções em detritos e escombros coletados pela artista.
A decisão de mostrar dois grupos bastante heterogêneos de trabalhos ecoa a multiplicidade de referências que povoam a obra da artista, que ora olha para o infinitamente grande e distante, ora para o corriqueiro e diminuto. É a partir exatamente do choque entre elementos díspares que a artista esboça o retrato de um universo em formação, que só pode ser definido por neologismos, como esse curioso astrofossil que dá nome à exposição.
Em DETOX, Anna Bigão convoca o espectador à mesa. Com texto do curador Guilherme Teixeira, a exposição parte da ideia de um grande jantar, não como celebração, mas como ritual de consumo e decomposição, para apresentar fotografias produzidas pela artista e submetidas a processos de manipulação digital por meio de inteligência artificial e softwares que embaralham as fronteiras entre o orgânico e o sintético, o apetitoso e o repulsivo, o corpo e o alimento.
As imagens que compõem a série de trabalhos têxteis operam na tradição da natureza morta, mas a subvertem: aqui, o que apodrece não é apenas a fruta sobre a mesa, mas a própria imagem. Procedimentos estéticos e alimentares se entrelaçam: filtros, correções, tratamentos cosméticos e digestivos dividem o mesmo espaço visual, até que não seja mais possível distinguir o que foi consumido do que foi apenas alterado para parecer intacto.
O trabalho de Bigão — que em exposições anteriores como Sopa Azeda (caroço, 2024) explorou a abjeção como linguagem, recorrendo a fotografias do próprio corpo, alimentos estragados e matérias em estado de decomposição — encontra em DETOX um novo registro: o da limpeza como violência, da purificação como procedimento estético que apaga, borra e reformata não apenas o corpo, mas também a imagem que dele sobrou.
As duas exposições ficam em cartaz até 30 de abril, com visitação gratuita, na sede da galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea, na Vila Madalena.
Em dezembro de 2025, a galeria ganhou um espaço permanente na Travessa Dona Paula, no centro de São Paulo, que promove o acervo da galeria com obras de Natalie Braido, Juan Casemiro, Elvis Almeida, Mayana Redin, Leka Mendes e dos jovens artistas Anna Bigão, Lucas Emanuel e Paulo Valeriano; além de dois livros do artista belga David Bergé: Bialetti a Catalogue, Spector Books, 2023, e A Walk in High Resolution, David Bergé, Jap Sam Books, 2020.
SOBRE LEKA MENDES
Leka Mendes (São Paulo, 1980) é artista e fotógrafa, formada em Arquitetura pelo Centro Universitário Belas Artes, São Paulo. Em seus trabalhos atuais, como a série Antropocênicas, faz uso de vestígios, de rastros do ser humano, sendo eles destroços de construção civil, pedras — a maioria coletadas durante suas viagens — e descartes plásticos e eletrônicos. Se interessa pelas narrativas da passagem do ser humano na Terra, em relação à sua efemeridade e fragilidade, dando ênfase ao fato de que o ser humano já interveio em todos os espaços.
Conta com obras nas coleções públicas Centro Cultural São Paulo, Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) e The Fine Art Laboratory, em Tokyo, Japão, além de outras importantes coleções privadas. Em 2022, apresentou o Observatório de imagens inalcançáveis, na Temporada de Projetos 2022, Paço das Artes, São Paulo. Em 2023, fez a exposição individual Ao entrar nas profundezas, pense nas alturas, na galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea, São Paulo, e realizou residência e exposição na Appleton, em Lisboa. Em 2024, fez a residência na Cité Internationale des Arts, Paris, e participou da Trienal de Tijuana, México.
SOBRE JACOPO CRIVELLI
Jacopo Crivelli Visconti, crítico e curador, é diretor da Albuquerque Foundation em Sintra, Portugal. Nascido em Nápoles, Itália, o seu livro Novas Derivas foi publicado em português pela WMF Martins Fontes e em espanhol pela Ediciones Metales Pesados. Ele curou inúmeras exposições e projetos institucionais, incluindo: Com o coração saindo pela boca, Pavilhão do Brasil na 59ª Bienal de Veneza, Itália (2022); Faz escuro mas eu canto, 34ª Bienal de São Paulo, Brasil (2020–2021); Untimely, Again, Pavilhão de Chipre na 58ª Bienal de Veneza, Itália (2019); Brasile – Il coltello nella carne, PAC – Padiglione d'Arte Contemporanea, Milão, Itália (2018); Matriz do tempo real, Museu de Arte Contemporânea, São Paulo, Brasil (2018); Memórias del subdesarrollo, Museum of Contemporary Art, San Diego, EUA (2017); Hector Zamora – Dinâmica não linear, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil (2016); Sean Scully, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil (2015); e a 12ª Bienal de Cuenca, Equador (2014).
SOBRE ANNA BIGÃO
Anna Bigão (1993, Catanduva, São Paulo, Brasil) em sua pesquisa artística, explora a relação entre escultura, imagem e matéria, utilizando-se de elementos como fotografias de seu próprio corpo e de detritos orgânicos ou sintéticos. Seu trabalho se concentra na transformação e desgaste dessas imagens, submetendo-as a processos de edição digital e manuais que alteram e remodelam suas características e sentidos.
Em 2014, trabalhou como técnica no atêlie de gravura do Centro Universitário Belas Artes. Em 2016, graduou-se em Artes Plásticas no Centro Universitário Belas Artes em São Paulo. De 2015 a 2016 frequentou a Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo e a Clínica Geral no Espaço 397.
Participou de: 2015, Performa sp-arte 2015 na Bienal de São Paulo; 2017, Programa de exposições no Marp em Ribeirão Preto, São Paulo; 2019, A menina mais feia da turma, Ateliê 397, São Paulo; 2022, Abre Alas 14, Gentil Carioca, Rio de Janeiro; Monstros são coisas selvagens, Galeria Asfalto, Rio de Janeiro; 2023, Catavento 22, Rio de Janeiro; Buffet Dinamite, Caroço Projeto, São Paulo; Cronicamente Online, 25M Salão de Projetos, São Paulo; Pedacinho ́s Island, Funarte, São Paulo; 2024, Extrapolação, Casa Slamb, São Paulo; Sempre deixam a porta a aberta, Espaço P,luma, São Paulo; 34º Salão de artes do Bunkyo, Associação Bunkyo, São Paulo; 2025, Sopa azeda, Caroço projeto, São Paulo; MEME: no Brasil da memeficação, CCBB São Paulo, São Paulo; Bandeide, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro.
SOBRE GUILHERME TEIXEIRA
Guilherme Teixeira (São Paulo, 1992) é escritor, curador e editor cuja prática investiga a relação simbiótica entre matéria e linguagem. Ao longo dos últimos anos, desenvolveu uma extensa prática curatorial em espaços independentes e institucionais no Brasil, como HOA Galeria, Nonada Galeria, Video_Brasil, Centro Cultural São Paulo e Pro Helvetia. Seus textos foram publicados em veículos como ArtReview, Spike Art Magazine, Ocula, Celeste, entre outros. É um dos criadores do ,expresso, projeto de acesso a práticas artísticas voltado a jovens em medidas socioeducativas da Fundação Casa. Seu trabalho transita entre o institucional e o marginal, entre o especulativo e o político, investigando o que a linguagem pode fazer quando toca a matéria, e o que a matéria faz quando recusa ser nomeada.
SOBRE MARLI MATSUMOTO ARTE CONTEMPORÂNEA
Inaugurada em agosto de 2021, a galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea está instalada na Vila Madalena, em uma casa estilo modernista do final dos anos 50.
Representa os artistas Elvis Almeida, Francesco João, Juan Casemiro, Leka Mendes, Mayana Redin, Natalie Braido, Ricardo Basbaum, Rosario López e Rubiane Maia. Atua pontualmente no mercado secundário com obras dos anos 60 em diante, de artistas renomados, com os quais a diretora trabalhou ao longo de sua trajetória, como Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Cildo Meireles, dentre outros.
Mantém um programa consistente de exposições individuais e coletivas que contam com textos de autores relevantes na crítica contemporânea, tais como Ana Roman, Niccolò Gravina, Oliver Basciano, José Augusto Ribeiro, dentre outros. Um diferencial são os projetos colaborativos com outras galerias e espaços culturais independentes, tais como Sardenberg (antiga Projeto Vênus), Capacete e Desapê, para viabilizar projetos específicos —como a instalação Urania (uma novela, um entretenimento, um meme, uma ficção) de Renata Lucas, realizada em agosto deste ano, em colaboração com a galeria Luisa Strina.
Em dezembro de 2025, a galeria ganha um espaço permanente na Travessa Dona Paula, no centro de São Paulo, o Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo.
SERVICE
Leka Mendes: astrofossil
Curadoria de Jacopo Crivelli
Anna Bigão: DETOX
Texto crítico de Guilherme Teixeira
Abertura: 14 de março, sábado, das 14h às 19h
Visitação até 30 de abril de 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h. Sábados, das 12h às 17h
Marli Matsumoto arte contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena
@marlimatsumoto_ / marlimatsumoto.com.br