Exposição individual "Gravura Quimérica", de Natali Tubenchlak
Exhibition
- Nome: Exposição individual "Gravura Quimérica", de Natali Tubenchlak
- Abertura: 15 de agosto 2026
- Visitação: até 29 de setembro 2026
- Gallery: Gravura Brasileira Gallery
Local
- Place: Gravura Brasileira Gallery
- Online Event: No
- Endereço: Rua Ásia, 219, Cerqueira Cesar – São Paulo, SP
GRAVURA QUIMÉRICA
NATALI TUBENCHLAK
Natali Tubenchlak
1975, Rio de Janeiro
Vive e trabalha entre Niterói e Rio de Janeiro
Com uma produção híbrida por natureza, a prática artística de Natali Tubenchlak, em uma perspectiva feminista, evidencia que o
corpo feminino nunca é apenas um corpo, supostamente neutro,
mas sim um espaço de tensionamentos de linguagens e desejos, e que muitas vezes sequer chega a ser humano. São imagens em que
mulheres se tornam plantas, animais e mesmo órgãos paralelos à
sua corporeidade, e que materializam possibilidades outras de vivenciar a existência feminina no mundo. “É um desejo talvez de fazer mais parte da natureza do que das questões humanas", conta a artista em entrevista no livro "Natali Tubenchlak: Ecofeminismo e pornopolítica".
Não à toa, é pela gravura, técnica pela qual a artista demonstra
plena familiaridade e domínio, que é possível compreender a operação compositiva e lógica que rege a formação desses
híbridos, essas quimeras contemporâneas em que o corpo
feminino é matriz, eixo central, mas também terreno de mutações, desdobramentos e subversões. A justaposição necessária de
diferentes matrizes para a obtenção de uma imagem, ou quando
não as diversas camadas de intervenção em uma única matriz de gravura, permitem uma correlação com a interpolação de partes
animais, vegetais e humanas na construção dessas entidades quase monstruosas nas gravuras da artista.
A exposição percorre diferentes técnicas da gravura em metal. Da
água-tinta e da água-forte, ponto de partida quando Natali retorna à Oficina de Gravura do Museu do Ingá, em Niterói, onde havia tido
seus primeiros contatos com a linguagem ainda nos anos 1990,
passando pela ponta seca e pela cologravura, técnica à qual tem se dedicado com mais afinco recentemente.
Donna Haraway retoma e aprofunda a pergunta espinosana sobre os corpos a partir de um lugar mais situado, em "Ficar com o Problema - Fazer Parentes no Chthuluceno", a autora desenvolve a
noção de devir-com, que prolonga o devir-animal de Deleuze e
Guattari ao levar a sério não apenas a potência abstrata da transformação, mas as relações singulares e específicas entre espécies reais e seus encontros, suas histórias, suas interdependências cotidianas. Ela propõe que o individualismo delimitado, a ideia de um ser humano autossuficiente e separado do mundo natural, se tornou verdadeiramente impensável.
O que Haraway chama de simpoiese (fazer-com), em oposição à autopoiese (fazer-sozinho), descreve a condição fundamental de todos os seres vivos, na qual nada existe nem se constitui isoladamente. Os corpos, em Haraway, são sempre resultado de encontros, emaranhamentos e contágios entre espécies. Nesse vocabulário, as figuras de Natali Tubenchlak se tornam reconhecíveis. As mulheres na obra da artista crescem para fora de si mesmas e se infundem com o que não são, construindo parentescos com o vegetal e o animal.
Entre as séries apresentadas estão, Dá-se assim desde menina, que aprofunda esse território, somando ao corpo a memória acumulada do que o mundo impõe às mulheres desde a infância. Já a série Montaria coloca em cena a longa história de representações do corpo feminino oscilando entre objeto e sujeito, em obras que transitam entre o erótico e o político, registradas com olho clínico e sarcástico. Nos trabalhos mais recentes, como as cologravuras das séries Desvairada e Mata Atlântica Dramática, a artista radicaliza a síntese entre corpo e mundo natural. As figuras se tornam mais densas e entregues à fusão. O dilema de onde termina o humano e onde começa o vegetal deixa de ser formulado, pois os corpos encontraram finalmente sua forma.
Identificar-se com o animal, com a planta, com aquilo que excede a forma humana dita hegemônica é uma forma de escapar e de tornar visível as normatizações de poder impostas aos corpos - e os corpos híbridos de Natali Tubenchlak não são meras metáforas de um pensamento sobre a natureza, mas sim um pensamento propriamente matérico, encarnado e impresso. A curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli apresenta um percurso histórico e temático sobre a produção da artista, ampliando a pergunta que move o seu corpo de obra: o que é e pode ser um corpo?
Ana Carla Soler e Talita Trizoli curadoras Agosto 2026
Gravura Quimérica
Natali Tubenchlak
Curadoria Ana Carla Soler e Talita Trizoli
15 de agosto a 26 de setembro
Artista visual, vive em transito entre Rio e Niterói.
Trabalha com gravura, desenho e instalação.
Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, posteriormente se graduou em design de produtos na Faculdade da Cidade, se especializou em produtos de cerâmica na escola de artes e ofícios em Barcelona-Espanha e em gravura na Oficina do Museu do Ingá-Niterói.
Em seu processo de criação, é frequente a apropriação de imagens recontextualizadas que, frequentemente, assumem formas de paródia e tangenciam o grotesco. Manipula personagens e enredos que refletem tanto a melancolia da cultura ocidental quanto o desejo de reconciliação com a natureza.
Service
Gravura Quimérica
Natali Tubenchlak
Curadoria Ana Clara Soler e Talita Trizoli
Abertura: 15 de agosto, das 15h às 17h
Exposição: 15 de agosto a 26 de setembro
Brazilian Print Gallery
Rua Ásia, 219, Cerqueira Cesar I 05413030
São Paulo I SP I Brasil
Contato:
contato@gravurabrasileira.com
55.11.3624.0301
whatsapp 55.11.91330.8411
Horário:
terça a sexta-feira I 14-18h
sábado 11-13h
ou com hora marcada