Exposição individual "quase vestígios", de amorí
Exhibition

Exposição individual "quase vestígios", de amorí

Exhibition

  • Nome: Exposição individual "quase vestígios", de amorí
  • Abertura: 08 de agosto 2026
  • Visitação: até 18 de outubro 2026
  • Gallery: Portas Vilaseca Gallery

Local

  • Local: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM)
  • Online Event: No
  • Endereço: Rua da Aurora, 265, Boa Vista – Recife, PE

amorí inaugura quase vestígios no MAMAM Recife



Em parceria com a Portas Vilaseca, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) inaugura neste sábado, dia 8, no Recife, a exposição quase vestígios, nova individual da artista pernambucana amorí, com curadoria de Guilherme Moraes. Reunindo 23 pinturas, 3 esculturas e 1 instalação, a exposição apresenta um conjunto de obras que investiga as relações entre memória, matéria, paisagem e imaginação, a partir das experiências da artista na Zona da Mata Sul de Pernambuco.


Nascida em Ribeirão, município conhecido como "Princesa dos Canaviais", amorí constrói um universo visual que parte das atmosferas, objetos e mistérios do campo para criar paisagens que escapam da representação documental. Seus trabalhos evocam tempos geológicos, gestos ancestrais e narrativas fabulares, em que a terra, a madeira, a cana-de-açúcar, o couro e o ferro tornam-se elementos de uma natureza simultaneamente familiar e enigmática.


A exposição marca também um diálogo com a tradição da pintura pernambucana presente no acervo do MAMAM. Historicamente associada ao adjetivo "telúrico", essa produção foi empregada por críticos como Walter Zanini e Gilberto Freyre para caracterizar artistas como Vicente do Rego Monteiro, Lula Cardoso Ayres e Cícero Dias. Em quase vestígios, porém, essa ideia de uma pintura ligada à terra ganha outro ponto de vista. A paisagem deixa de ser observada à distância para ser construída por quem cresceu inserida nesse território, deslocando as formas de narrar o campo e suas materialidades.


As pinturas apresentam cenas noturnas, terrenos calcinados, brejos, canaviais e formações vegetais atravessados por presenças ambíguas, que transitam entre o vegetal, o animal e o mineral. Pequenos formatos quadrados concentram uma pintura espessa, produzida com óleo e cera de abelha, cuja superfície absorve delicadamente a luz e intensifica a dimensão tátil das imagens.


Em constante diálogo com as pinturas, os trabalhos tridimensionais expandem esse imaginário para o espaço expositivo. Construídas a partir de madeiras, vergalhões oxidados e tiras de couro caprino, as estruturas dessas obras parecem apoiar-se mutuamente em delicados equilíbrios, evocando ferramentas rurais, cercas, estacas e artefatos de uso cotidiano que, deslocados de sua função original, assumem uma presença quase ritual.


Para o curador Guilherme Moraes, as obras se desenvolvem em uma relação de mutualismo: "O que amorí pinta e o que instala nascem do mesmo universo de formas e materiais. As esculturas parecem ter escapado das pinturas, enquanto as pinturas fabulam objetos que poderiam existir no espaço. É uma obra que transforma lembranças da paisagem canavieira em imagens de caráter quase cosmológico, onde convivem o íntimo, o ancestral e o imaginário."


Longe de uma visão nostálgica ou ilustrativa da vida rural, quase vestígios apresenta um território marcado por forças invisíveis, vestígios e transformações contínuas. A mostra parte das memórias da artista sobre o engenho, os sons da noite, as manchas deixadas pela doçura da cana e os segredos do campo para construir uma paisagem onde o tempo parece suspenso entre o passado profundo da terra e as experiências vividas.


Para ler o texto curatorial completo + preview das pinturas, clique aqui.


Service

quase vestígios – amorí

Curadoria: Guilherme Moraes


Abertura: 8 de agosto

Visitação: de 8 de agosto a 18 de outubro de 2026


Local: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) – Recife, PE


Apoio institucional: Portas Vilaseca


Fotos: Estúdio em obra – Cortesia Portas Vilaseca

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